O aumento desproporcional de gordura nas pernas, associado a dor, sensibilidade e inchaço, pode indicar lipedema, uma doença vascular crônica que afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva. Apesar de conhecida há décadas, a condição ainda é pouco diagnosticada e muitas vezes confundida com obesidade ou outros problemas que causam inchaço nas pernas, atrasando o tratamento.
De origem genética, o lipedema provoca o acúmulo anormal de gordura, geralmente da cintura para baixo, com preservação dos pés. Em alguns casos, também pode afetar os braços. Um dos principais sinais é a desproporção entre o tronco, que tende a permanecer mais fino, e os membros, onde ocorre o aumento de volume.
Diferenças entre lipedema e linfedema
Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, o lipedema não deve ser confundido com o linfedema. Enquanto o lipedema está relacionado ao acúmulo anormal de gordura, o linfedema ocorre pelo acúmulo de líquidos devido à alteração do sistema linfático. Outra diferença importante é que o linfedema costuma comprometer toda a extensão do membro, incluindo o pé, e geralmente se manifesta de forma unilateral. Já o lipedema preserva os pés e tende a afetar os dois lados do corpo de maneira simétrica.
Dor, hematomas e limitações
Além da alteração estética, o lipedema causa sintomas que afetam a qualidade de vida, como dor, peso nas pernas, cansaço, inchaço e surgimento frequente de hematomas. Em estágios avançados, a doença pode comprometer a mobilidade, favorecer lesões articulares, atrofia muscular e prejudicar a circulação dos membros inferiores. O acúmulo de gordura pode se expandir para quadris, nádegas, coxas e pernas, com possível envolvimento do sistema linfático. Estudos também apontam que fatores emocionais podem estar relacionados à evolução do quadro, especialmente quando contribuem para o ganho de peso.
Diagnóstico depende da avaliação clínica
O diagnóstico do lipedema é predominantemente clínico e depende da avaliação de um profissional capacitado, que considera o histórico da paciente, os sintomas e o exame físico. O ultrassom pode ser utilizado como exame complementar para avaliar a extensão do comprometimento dos tecidos e auxiliar no planejamento terapêutico.
Como ainda é pouco conhecido, o lipedema permanece subdiagnosticado, fazendo com que muitas mulheres convivam durante anos com dor e limitações sem receber o tratamento adequado.
Tratamento busca controlar os sintomas
Embora o lipedema não tenha cura, o tratamento ajuda a controlar sintomas, reduzir desconfortos e preservar a qualidade de vida. Entre as principais estratégias estão o controle do peso, uma alimentação equilibrada, a prática regular de exercícios físicos e o acompanhamento psicológico.
Em alguns casos, o uso de meias de compressão pode ser indicado, especialmente modelos de malha plana, que oferecem melhor adaptação e conforto sob orientação médica. A lipoaspiração é reservada para situações mais avançadas, quando as medidas conservadoras não apresentam resultados satisfatórios.
O acompanhamento multidisciplinar, com profissionais como angiologistas, cirurgiões vasculares, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos, permite controlar a evolução da doença, reduzir limitações e oferecer suporte às pacientes que convivem com uma condição crônica, mas tratável.