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Saúde

Diagnósticos de TEA acompanham avanço em avaliações e acesso à informação

Especialista aponta que identificação precoce e a atuação da ABA junto às famílias influenciam nos resultados das intervenções ao longo do espectro

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Evidências científicas indicam que há, de fato, um aumento nos diagnósticos, impulsionado sobretudo
Alessandra deixa claro que pessoas com TEA não são todas iguais, cada um apresenta características ú
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação e Arquivo Pessoal/Alessandra

Nos últimos anos, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem sido cada vez mais debatido na sociedade. A percepção de aumento no número de casos levanta dúvidas se tratasse de um crescimento real ou de diagnósticos mais precisos? De acordo com uma especialista, os dois fatores caminham juntos.

Segundo a psicóloga clínica Alessandra Joice da Silveira Santos, especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) ao TEA e Deficiência Intelectual e em Terapia Cognitivo-Comportamental, os avanços científicos têm papel central nesse cenário, pois “o acesso as informações também têm contribuído para que as pessoas tenham mais conhecimento e possam buscar, de forma mais precoce, especialistas da área”, explica.

Mitos ainda dificultam a compreensão do TEA

Apesar da maior visibilidade, o TEA ainda é cercado por equívocos. Um dos mais comuns é a ideia de que todas as pessoas dentro do espectro são iguais. Na prática, cada indivíduo apresenta características únicas.

Outro mito recorrente é acreditar que pessoas com autismo não demonstram afeto. A especialista reforça que isso não corresponde à realidade, já que elas se vinculam e expressam sentimentos, muitas vezes de forma própria. Também é equivocada a associação do TEA à falta de limites ou à má educação.

Além disso, a crença de que a criança “vai falar sozinha com o tempo” pode atrasar o início de intervenções importantes. Há ainda quem pense que apenas casos mais graves necessitam de acompanhamento, quando, na verdade, todas as pessoas com TEA podem se beneficiar de suporte adequado.

Sinais de alerta começam nos primeiros anos

A observação dos marcos do desenvolvimento infantil é uma das principais ferramentas para identificar possíveis sinais de TEA. Esses parâmetros, inclusive, estão disponíveis na caderneta de vacinação.

Entre os sinais de atenção estão a falta de reciprocidade em interações, dificuldades em atividades rotineiras, como alimentação e banho, choro excessivo e atrasos na fala. “Meninas costumam mascarar mais os sintomas, enquanto em meninos fica mais evidente”, lembra Alessandra.

Intervenção precoce amplia possibilidades de desenvolvimento

A importância da intervenção precoce está diretamente ligada à chamada neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de aprender e se adaptar, especialmente na infância. “Em crianças com diagnóstico tardio, precisamos correr contra o tempo, pois falamos que, nesses casos, estamos sempre atrasados em relação ao desenvolvimento”, aponta a psicóloga.

Hoje, é comum que encaminhamentos para intervenção ocorram por volta dos dois anos de idade. Quanto antes o acompanhamento começa, maiores são as chances de desenvolver habilidades fundamentais, como linguagem, comunicação e interação social.

ABA

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é considerada padrão ouro no tratamento de pessoas com TEA. Trata-se de uma abordagem científica que analisa a relação entre comportamento e ambiente.

O método se baseia em três elementos, antecedente (o que acontece antes do comportamento), comportamento em si e consequência (o que ocorre depois). A partir dessa análise, são criadas estratégias personalizadas para o desenvolvimento de habilidades.

O Plano de Intervenção Comportamental (PIC) é estruturado com base na avaliação dos marcos do desenvolvimento e aplicado por um atendente terapêutico (AT), sob supervisão de profissionais especializados.

Resultados podem ser mensurados

Na prática, os avanços proporcionados pela ABA são acompanhados de forma sistemática. “Resultados incríveis podem ser visualizados, pois quando a ABA é realizada de forma adequada, os resultados podem ser avaliados”, destaca Alessandra.

Os atendimentos envolvem coleta e análise de dados, transformados em gráficos, além de observações contínuas. Entre os objetivos estão a redução de comportamentos desafiadores e o desenvolvimento de novas habilidades, que posteriormente são generalizadas para outros ambientes, como casa e escola.

Escolha da equipe exige atenção

Diante das discussões sobre a ABA, a psicóloga destaca a importância de critérios rigorosos na escolha da equipe terapêutica. É fundamental verificar a formação dos profissionais, a experiência prática e a supervisão constante dos atendimentos.

A família também deve ter acesso ao Plano de Intervenção, aos dados e ao acompanhamento do progresso. A integração entre equipe técnica, escola e responsáveis é essencial para a efetividade do tratamento.

Família é peça-chave no desenvolvimento

O papel da família vai além do acompanhamento, pois ela é parte ativa do processo terapêutico. “A família precisa cumprir o seu papel como coterapeutas, são considerados parceiros para que essas habilidades que estão sendo construídas na terapia, possam ser generalizadas em outros ambientes”, afirma.

Atividades do cotidiano, como organizar um lanche, lavar as mãos ou tomar banho, tornam-se oportunidades de aprendizagem. Quando há alinhamento entre família e profissionais, os resultados tendem a ser mais consistentes, beneficiando diretamente o desenvolvimento da criança.

A ampliação do debate sobre o TEA, aliada ao avanço da ciência e ao acesso à informação, tem contribuído para diagnósticos mais precoces e intervenções mais eficazes. Ainda assim, especialistas reforçam que o combate aos mitos e a busca por orientação qualificada continuam sendo fundamentais.

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