“Eu fiz essa mamografia e o câncer foi diagnosticado de forma precoce. O nódulo era pequeno e estou curada.” A declaração é de Nilse Lisboa dos Santos, de 57 anos, que recebeu o diagnóstico de câncer de mama em 2020, passou por tratamento e hoje utiliza sua experiência para alertar outras mulheres sobre a importância dos exames.
A história começou em 2019, quando uma mamografia identificou uma alteração na mama, inicialmente interpretada como um cisto. Na época, Nilse recebeu orientações médicas e seguiu a rotina. Algum tempo depois, percebeu uma mudança ao tocar a mama durante o banho e decidiu procurar novamente atendimento.
“Quando eu comecei a sentir no toque, vi que tinha alguma coisa errada e fui procurar fazer exames novamente”, relembra.
A nova investigação identificou um nódulo maligno. Para tratar a doença, Nilse passou por uma quadrantectomia, cirurgia que remove o tumor preservando parte da mama, oito sessões de quimioterapia e radioterapia. Atualmente, está recuperada.
A experiência fez com que ela passasse a falar sobre a importância do diagnóstico precoce, especialmente durante o Outubro Rosa, campanha anual de conscientização sobre o câncer de mama.
“Fica aqui o apelo para que todas as mulheres tenham sempre o exame em dia. O exame não vai prevenir a doença, mas vai ajudar a identificar precocemente e aumentar a chance de cura. Tanto que hoje estou aqui e posso falar para vocês: cuidem-se!”, afirma.
Para Nilse, a campanha não deve se limitar à cor rosa ou às ações realizadas durante o mês de outubro. “O rosa não é para romantizar o câncer, mas sim um alerta: sempre que virem a cor rosa, tenham a consciência de que a gente precisa se amar, cuidar e se prevenir”, diz.
Faltas a exames deixam vagas ociosas
O Hospital Santa Terezinha disponibiliza cerca de 520 vagas mensais para mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), destinadas a mulheres de Erechim e região. Apesar da oferta, entre 80 e 90 pacientes deixam de comparecer aos exames agendados a cada mês.
A coordenadora da UTI Adulto, Clínica Médica e Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI) do hospital, Adriana Lima Alba, orienta que as pacientes comuniquem antecipadamente quando não puderem comparecer. A medida permite que a vaga seja disponibilizada a outra mulher que aguarda atendimento.
“A gente sabe que o diagnóstico precoce é determinante para o sucesso do tratamento. E, se você tem esse exame marcado por meio da Secretaria de Saúde e, por algum motivo, não consegue comparecer, entre em contato e informe sua ausência. Assim, outra mulher que está aguardando pode ter a oportunidade de realizar o exame o quanto antes”, orienta.
Ao compartilhar sua trajetória, Nilse espera incentivar outras mulheres a cuidar da própria saúde e procurar atendimento quando perceberem alterações. “Precisamos nos amar, nos cuidar e nos prevenir. Beijo no coração”, conclui.