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Saúde

Caminhada reúne pacientes e comunidade em torno da saúde e do bem-estar

Primeira edição do projeto Vida em Movimento, do Instituto Bravora, uniu atividade física e contato com a natureza no Parque Longines Malinowski

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A programação contou com uma equipe multidisciplinar e uma boa adesão de pacientes e familiares
As médicas oncologistas Daniela Cavalli, Adriana Wilk e a psicóloga Giovana Schallenberger
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo

Pacientes, familiares e integrantes da comunidade participaram, na manhã de sábado, dia 17, da primeira caminhada do projeto Vida em Movimento, do Instituto Bravora, no Parque Longines Malinowski. A atividade reuniu profissionais das áreas de oncologia, psicologia, nutrição, fisioterapia e biologia, com propostas voltadas à atividade física, ao bem-estar e ao contato com a natureza.

A iniciativa surgiu após a mudança de nome e posicionamento da antiga clínica, que passou a se chamar Instituto Bravora. Segundo a médica oncologista Adriana Wilk, a proposta é ampliar a atenção à vida para além do diagnóstico e do tratamento de doenças. “A ideia era que nós déssemos mais valor à vida do que à doença em si. E como a medicina, a oncologia e a nossa vida estão sempre em movimento, a gente nunca está no mesmo lugar, criamos esse slogan, esse nome, como uma forma de marcar essa evolução da medicina”, explica.

A psicóloga Giovana Schallenberger afirma que o projeto considera as transformações enfrentadas por quem passa por um processo de adoecimento e a necessidade de manter a qualidade de vida durante o tratamento. “Vida em movimento, porque mesmo quando se atravessa um processo de adoecimento, você está em movimento, em movimento para se curar, em movimento para ter qualidade de vida, em movimento para lidar bem com as adversidades e também para poder aproveitar o que esses momentos oferecem”, diz.

A oncologista Daniela Cavalli explica que o percurso foi organizado com paradas para incentivar a convivência entre os participantes e a valorização de outros aspectos da vida além da doença. “Existem outras coisas além do câncer, não existe só o tratamento, não existe só a doença, existe a família, o apoio dos amigos, existe o trabalho, existem inúmeras coisas ao nosso redor que não se resumem só ao câncer. Então, esse é um dos motivos, é a jornada em si que a gente também quer valorizar nesse momento”, afirma.

Saúde e meio ambiente

A escolha do Parque Longines Malinowski também está relacionada à preservação ambiental. De acordo com Adriana Wilk, o instituto desenvolve iniciativas voltadas à redução do desperdício, à destinação adequada de resíduos e ao reaproveitamento de materiais. “A nossa preocupação ambiental sempre foi presente, o não desperdício, a destinação adequada dos resíduos. O Parque Longines é um ícone aqui na nossa cidade e muitas pessoas, mesmo residindo aqui há bastante tempo, às vezes não conhecem a biodiversidade que existe aqui dentro”, observa.

Para Giovana Schallenberger, o contato com ambientes naturais também faz parte dos cuidados com a saúde física e psicológica. “O contato com a natureza, a preservação, ter um espaço como esse, foi fundamental para a gente escolher o Parque Longines Malinowski para a nossa caminhada Vida em Movimento”, afirma.

A programação contou ainda com orientações de profissionais de diferentes áreas. Conforme Daniela Cavalli, a alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos integram os cuidados de pacientes oncológicos. “A nossa ideia também foi trazer uma nutricionista aqui para nos auxiliar e uma fisioterapeuta, além da bióloga para também motivar as pessoas a se cuidarem e informar que tanto a nutrição, a alimentação saudável, quanto atividade física também são muito importantes para o tratamento e, inclusive, são parte do tratamento”, explica.

Pacientes compartilham experiências

Entre as participantes estava a empresária Clarisse Reichert Caldart, diagnosticada em 2023 com câncer de mama agressivo, já no estágio 3, apesar de realizar exames preventivos regularmente. Testes genéticos identificaram uma mutação no gene BRCA2. Após mastectomia bilateral, quimioterapia e outras intervenções, recebeu a confirmação da remissão completa da doença, mesmo tendo enfrentado complicações durante o tratamento. “Graças ao Instituto e à minha fé em Deus, tive todas essas aprovações e hoje estou em remissão total”, afirma.

Sem praticar exercícios regularmente antes do diagnóstico, Clarisse passou a reconhecer a atividade física como aliada na recuperação. Ela também destaca a importância da família, da fé e da ciência. “Quando a gente recebe um diagnóstico desses, fica desesperado, porque só conhece casos de insucesso. Mas precisamos buscar também as histórias de superação, acreditar na ciência e não perder a fé”, conclui.

A estudante Gabriele Vicensi, de 25 anos, também participou da atividade após enfrentar um câncer de mama, identificado em estágio inicial em novembro de 2025. Com uma mutação no gene BRCA1, herdada da família, realizou quimioterapia até abril de 2026 e, posteriormente, uma cirurgia preventiva. “Eu só pensava em ficar bem, em focar no tratamento”, relata.

Praticante de atividades físicas antes do diagnóstico, Gabriele manteve os exercícios e os cuidados com a alimentação durante o tratamento. Agora, pretende compartilhar sua experiência para incentivar hábitos saudáveis.

“Eu acredito que o exercício físico ajudou muito, muito mesmo. Por isso, quero motivar as pessoas a enxergarem a importância da atividade física na vida”, afirma.

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