Jogos interativos para auxiliar no aprendizado de química, oficinas de circuitos elétricos, introdução à programação e uma imersão no universo cyberpunk de Neuromancer foram algumas das atrações acompanhadas por mais de 2 mil pessoas, principalmente crianças e adolescentes, na primeira etapa da edição de 2026 do Futur.E, o maior evento de educação do Sistema FIERGS. A programação ocorreu nesta quarta-feira (30) no complexo educacional do Sesi-RS em Bento Gonçalves.
Os 5,7 mil metros quadrados do espaço foram tomados por estudantes das redes municipal, estadual e da comunidade do município. Os jovens participaram de atividades, interagiram com o robô humanoide Robergs, mascote que já é figurinha carimbada nos eventos do Sistema FIERGS, e conheceram soluções inovadoras desenvolvidas por alunos do Sesi-RS e do Senai-RS.
Concentrados no ginásio do complexo, os projetos dos estudantes impressionaram pela criatividade e pelo olhar técnico. Com o ReduTech, focado na análise de redutores, Henrique Possamai e Amanda Nunes, do Senai de Bento Gonçalves, desenvolveram uma alternativa acessível para auxiliar empresas na adequação à Norma Regulamentadora 12 (NR-12), voltada para a segurança no trabalho em máquinas e equipamentos.
A partir de um protótipo que combina elétrica e desenvolvimento de software, a solução avalia a eficiência e a integridade de redutores, dispositivos mecânicos compostos por engrenagens que diminuem a velocidade de rotação de um motor e aumentam a sua força de torque. O projeto utiliza um sensor sonoro de alta sensibilidade para monitorar os ruídos emitidos durante o funcionamento do equipamento, garantindo uma análise segura e eficiente. "Com o ReduTech, pude integrar todos os conhecimentos que adquiri ao longo do curso em um só protótipo", ressalta Henrique, pontuando que esses mesmos conhecimentos são essenciais para o dia a dia no mercado de trabalho.
Diretamente da unidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Sesi de Caxias do Sul, Anderson Ramos pensou em uma solução criativa para um problema cotidiano. "No meu trabalho, carrego caminhões com rolos de tecido com o uso de uma esteira de cerca de 100 metros. O problema é que todo o processo é manual, preciso ligar e desligar o botão e, para isso, preciso percorrer toda a extensão da esteira", explica. O desafio motivou Anderson a se unir ao colega Itacyr Soares para elaborar a Esteira 4.0. A solução desenvolvida pelo grupo foi apresentada como um protótipo em que a esteira inicia e desliga a operação a partir da detecção de presença, descartando a necessidade do uso de botões físicos. "Além de otimizar o trabalho, a solução também diminui os gastos com energia ao reduzir o tempo de funcionamento ocioso do equipamento", detalha Itacyr.
A inovação como ferramenta para promover o conhecimento também teve espaço nos estandes. Alunos do 1º ano do Ensino Médio da Escola Sesi de Bento Gonçalves, Léo Mota da Silva e Calebe Pedó desenvolveram uma maneira divertida de aprender química. A partir de jogos construídos por meio da plataforma Scratch, voltada para a criação de programas interativos, decidiram descomplicar a tabela periódica e outros temas fundamentais da disciplina. "A ideia era justamente criar um programa mais divertido, para fugir do estereótipo de jogos didáticos chatos", descreve Léo.
Com o Undermistry, os estudantes se basearam no popular RPG de computador Undertale, criado pelo desenvolver independente Toby Fox. A versão dos alunos adiciona uma nova dinâmica e, além das batalhas, faz o jogador aprender conceitos essenciais, como as diferenças entre ligações iônicas e ligações covalentes. Já o título Batalha Elemental aproveita os fundamentos clássicos do jogo batalha naval. Na tela, dois competidores escolhem um elemento da tabela periódica e precisam descobrir a escolha do adversário com o auxílio de dicas. O jogo pode ser acessado no próprio site da plataforma, em https://scratch.mit.edu/projects/1378088221/
HACKERS E INSETOS ELÉTRICOS
As vivências imersivas garantiram o engajamento do público. Inspirado no clássico da ficção científica Neuromancer, publicado por William Gibson em 1984, o escape room desafiou os humanos a se unirem às máquinas para desvendar enigmas e encontrar a chave de saída. A atividade se conecta com princípios fundamentais da educação do Sesi-RS, além de estimular a leitura. Obra pioneira no gênero cyberpunk, Neuromancer faz parte da curadoria de títulos disponíveis a todos os alunos nas bibliotecas das escolas Sesi de Ensino Médio. Gustavo Pellenz e seus colegas, alunos da Escola Estadual Mestre Santa Bárbara, conseguiram cumprir o desafio de escapar em até 10 minutos e saíram interessados pelo universo da história. “Não conhecia a obra, mas depois de participar aqui vou buscar mais informações sobre o livro”, afirma o estudante, que definiu a experiência como “tri legal”.
As experimentações tecnológicas continuaram nas oficinas Steam e no Espaço Maker. Na atividade “Monte seu inseto elétrico”, os visitantes aprenderam conceitos de eletricidade e de circuitos de forma prática, construindo pequenos dispositivos com motor, pilhas e fios. Atenta aos movimentos de seus alunos do 2º ano do Ensino Fundamental, a professora da Escola Municipal General Rondon Cristiane Sachet acompanhou a dinâmica de perto. “Apesar de não terem nenhum conhecimento sobre os fundamentos trabalhados na oficina, eles são movidos por curiosidade e imaginação, o que permite que aproveitem, se envolvam e aprendam com a experiência”, destaca. “Nós semeamos hoje essas oportunidades para gerar interesses que, no futuro, gerarão frutos”, conclui.
INOVAÇÃO PARA O FUTURO
A gerente-executiva de Educação Básica do Sesi-RS, Sônia Bier, ressalta a relevância da descentralização do evento para levar conhecimento e tecnologia a mais regiões do estado – em 2025, o Futur.E teve suas atividades concentradas em Porto Alegre e, neste ano, vai ocorrer em quatro cidades. "Um dos objetivos do evento é justamente gerar o interesse pela inovação, pois não existe desenvolvimento que não passe por ela. Hoje, o 'future' se abre para todos nós", afirmou, aproveitando para fazer um trocadilho entre a palavra futuro e o nome do evento. O posicionamento foi reforçado pelo gerente técnico do Senai-RS, Rafael Freire. "O evento é um reflexo do trabalho desenvolvido pelo Sistema FIERGS, conhecido pela excelência no ensino técnico e na educação básica. São os talentos aqui presentes que podem movimentar e transformar nossa indústria", apontou Freire.
O gerente de operações do IEL-RS, Daniel Pires, aproveitou a ocasião para apresentar aos jovens o trabalho do Instituto e destacou a plataforma Oportunidades na Indústria. Presente no evento com uma unidade móvel, a iniciativa conecta profissionais ao setor industrial e reúne vagas de diferentes áreas e níveis de experiência.
PRÓXIMAS EDIÇÕES
Depois de Bento Gonçalves, o Futur.E chega a Novo Hamburgo na próxima terça-feira (6), no Sesi do município (Rua Guia Lopes, 3146). Na quinta-feira (8), a programação passa por Lajeado, na Escola Sesi (Rua Belém, 03). Já no dia 21, a iniciativa encerra o circuito em Pelotas, na Escola Sesi de Ensino Médio Eraldo Giacobbe (Avenida Bento Gonçalves, 4823). Todas as etapas ocorrem das 9h às 17h30. As inscrições podem ser feitas de forma gratuita em https://www.fiergs.org.br/future.