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Economia

Inovação no agro e novas oportunidades no uso de biocombustíveis foram tema de reunião da Famurs na Expointer

14º Encontro dos Gestores Municipais da Agricultura reuniu gestores para discutir mercado global, biocombustíveis e acordos comerciais, além de apresentar iniciativas que aproximam inovação e tecnologia das prefeituras gaúchas

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Por Assessoria
Foto ASCOM

A força do agronegócio para a economia do Rio Grande do Sul, os impactos das transformações no mercado global e as oportunidades que podem ser incorporadas à gestão municipal foram pauta do 14º Encontro dos Gestores Municipais da Agricultura na Expointer, realizado nesta terça-feira (01), na Casa Famurs. Com o tema “Mercado Global, biocombustíveis e os acordos comerciais: impactos e oportunidades para o agro”, o encontro reuniu gestores municipais, especialistas e representantes do setor para discutir os caminhos do agro e a importância de transformar essas mudanças em oportunidades para os municípios.

O presidente da Famurs e prefeito de Imbé, Ique Vedovato, destacou a atuação das áreas técnicas da Federação e, na ocasião, do setor de Agricultura, que mantém contato permanente com os secretários municipais, acompanha as demandas regionais e busca construir respostas para as necessidades enfrentadas diariamente pelas prefeituras.

Segundo Ique, essa atuação tem sido fundamental em diferentes momentos vivenciados pelos municípios, como nos períodos de estiagem e enchentes, e também na construção de novas pautas para o setor, como a dos biocombustíveis, que esteve entre as demandas apresentadas pelos gestores e contribuiu para a realização do encontro na Expointer.

“A nossa área técnica de Agricultura está diariamente ao lado dos secretários, ouvindo as demandas e buscando atender às necessidades dos municípios. É esse trabalho que permite que a Famurs esteja presente nas pautas que realmente chegam lá na ponta, desde as situações de estiagem e enchentes até temas que apontam para o futuro, como os biocombustíveis”, destacou Ique.

O presidente também ressaltou que a Federação segue atuando na defesa de pautas estratégicas para os produtores e para os municípios, como a questão do abastecimento de combustíveis e a securitização das dívidas do agronegócio.

 

Agro, energia e novas oportunidades

O diretor de Atração de Investimentos e Promoção Comercial da Invest RS, Fabrício Forest, apresentou um panorama sobre a posição do Rio Grande do Sul diante das mudanças no mercado internacional e das novas oportunidades relacionadas aos biocombustíveis e à transição energética.

Forest destacou a relevância do agronegócio para a economia gaúcha. Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 15,4 bilhões, representando 71,5% do total exportado pelo Estado. Mais de 40% da indústria de transformação do Rio Grande do Sul também está vinculada à agricultura.

A apresentação também apontou o potencial do Estado na produção de energias renováveis e biocombustíveis. A matriz elétrica gaúcha possui 85% de sua potência instalada proveniente de fontes renováveis, enquanto iniciativas em áreas como biogás, biometano e hidrogênio verde ampliam as possibilidades de novos investimentos e agregação de valor ao setor produtivo.

Outro ponto abordado foram as oportunidades relacionadas ao acordo Mercosul–União Europeia, especialmente nos segmentos de biocombustíveis, máquinas agrícolas e agroindústria. Entre as possibilidades apresentadas estão a ampliação do acesso ao mercado europeu, a expansão das exportações agroindustriais, o acesso a tecnologias e a agregação de valor à produção.

 

Biodiesel como vetor de desenvolvimento

O presidente da APROBIO e da ACEBRA, Jerônimo Goergen, trouxe a importância estratégica dos biocombustíveis para o Brasil e para o Rio Grande do Sul. Segundo os dados apresentados, o país produziu 9,84 bilhões de litros de biodiesel em 2025 e ocupa a terceira posição entre os maiores produtores mundiais.

No Rio Grande do Sul, nove usinas de biodiesel são autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), enquanto outras cinco estão em construção ou ampliação. O Estado concentra 21,3% da capacidade instalada de biodiesel do país, com produção de 9,4 milhões de litros por dia.

Goergen também destacou os efeitos econômicos e sociais da cadeia. A cadeia soja/biodiesel reúne cerca de 2,4 milhões de empregos, enquanto aproximadamente 300 mil famílias da agricultura familiar fornecem matéria-prima para o setor.

Além dos impactos na produção e na geração de empregos, Goergen  abordou a possibilidade de levar os biocombustíveis para dentro das próprias administrações municipais. Durante o encontro, Jerônimo Goergen anunciou que está sendo construído um termo de cooperação entre o setor e a Famurs, que poderá ser disponibilizado às prefeituras gaúchas para estimular o aproveitamento de biocombustíveis na administração pública.

A proposta busca aproximar a tecnologia desenvolvida a partir do próprio agronegócio da realidade dos municípios, criando possibilidades de economia, inovação e uso mais eficiente de fontes de energia renovável. A iniciativa também reforça o potencial de integração entre a produção agrícola, a indústria e a gestão pública.

A relação entre a cadeia dos biocombustíveis e o desenvolvimento municipal foi um dos pontos centrais. Segundo os dados da apresentação, a instalação de uma usina movimenta a economia local por meio da compra de matéria-prima agrícola, geração de empregos e aproveitamento de subprodutos pela pecuária regional.

 

Gestão municipal no centro das transformações

O coordenador de Agricultura, Meio Ambiente e Turismo da Famurs, Mário Nascimento, reforçou durante o encontro a importância do fortalecimento das políticas públicas voltadas à agricultura e da atuação articulada com os secretários municipais.

A proposta, segundo Nascimento, é fazer com que a área técnica da Federação esteja cada vez mais conectada às demandas dos municípios, acompanhando as transformações do setor e levando aos gestores informações, articulação e ferramentas que possam contribuir para a gestão local.

O assessor técnico de Agricultura da Famurs, Ismael Horbach, também destacou a importância desse trabalho próximo com os secretários municipais e da discussão de temas relevantes para o momento vivido pelo agronegócio. A pauta dos biocombustíveis, nesse contexto, representa não apenas uma questão ligada à produção agrícola e energética, mas também uma oportunidade de inovação e desenvolvimento para os municípios.

 

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