Debates sobre o potencial da sustentabilidade como agente de estímulo à competitividade marcaram a programação da Casa da Indústria na Expointer nesta segunda-feira (31). Os painéis promovidos pelo Sistema FIERGS abordaram temas como pegada de carbono, bioeconomia, embalagens biodegradáveis e polímeros de alta performance. Localizado no setor de máquinas e equipamentos do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, o estande da entidade será palco de diferentes encontros e discussões relacionados à agroindústria até 6 de setembro.
O primeiro painel, conduzido por Vinicius Schneider e mediado por Marcelo Jung, pesquisadores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RS), teve como tema central a pegada de carbono na agroindústria, com foco na aplicação da perspectiva de ciclo de vida para medir o impacto ambiental de produtos e em como a inovação na nutrição animal pode acelerar a descarbonização do setor. Para exemplificar a questão da nutrição animal, a palestra também contou com a participação de representantes da American Nutrients, que produziu, em parceria com o Senai-RS, o Muucare Nature: um aditivo zootécnico que ajuda a reduzir a produção de metano em bovinos de leite.
Na sequência, o pesquisador do Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros (ISI Polímeros) Vinicius Pistor explicou como o aproveitamento de subprodutos agrícolas e o desenvolvimento de novos biopolímeros e elastômeros sustentáveis podem impulsionar a economia circular. Os biopolímeros englobam macromoléculas produzidas por seres vivos ou sintetizadas a partir de fontes renováveis, enquanto os elastômeros consistem em polímeros com alta elasticidade e viscoelasticidade. Pistor apresentou as aplicações práticas da engenharia de materiais para gerar valor à cadeia do agronegócio e contribuir para a redução de impactos ambientais. Segundo o especialista, a meta é aperfeiçoar essa tecnologia dentro da indústria, e não só no laboratório.
A pesquisadora do ISI Polímeros Carolina Branco inseriu o tema no contexto das embalagens sustentáveis, inteligentes e ativas. Na apresentação, explicou como os novos materiais podem potencializar a produção do agronegócio gaúcho para o mercado global. A análise englobou as principais tendências mundiais em soluções sustentáveis, evidenciou os polímeros capazes de monitorar a qualidades dos alimentos e interagir para preservá-los, e reforçou a importância do atendimento às exigências regulatórias internacionais de exportação. A pauta tem ligação direta com o aumento da competitividade no comércio exterior pois, além do desafio tecnológico, normas de grandes mercados importadores do agronegócio brasileiro, a exemplo da Europa, já exigem recipientes mais sustentáveis.
No encerramento do ciclo de palestras, o gerente do ISI Polímeros, Jordão Gheller Junior, abordou o papel da engenharia de polímeros no desenvolvimento de componentes agrícolas mais resistentes a desgaste, atrito, degradação química e intempéries. Os chamados polímeros de alta performance ampliam a vida útil e a eficiência de máquinas e equipamentos, demonstrando como a inovação em materiais eleva a produtividade da cadeia do agronegócio. O palestrante detalhou os fatores críticos para a degradação dos insumos no campo, as consequências do desgaste precoce e as estratégias desenvolvidas pelo Instituto para minimizar os prejuízos na atividade rural.
A programação completa das atividades do Sistema FIERGS na Expointer pode ser conferida em fiergs.org.br/programacao-expointer-2026.