Garantir a continuidade dos negócios entre diferentes gerações é um dos principais desafios das empresas familiares. Buscar apoio especializado e metodologias estruturadas pode contribuir para a construção de processos sucessórios capazes de preservar legados, preparar lideranças e fortalecer a longevidade empresarial. No Brasil, cerca de 90% das empresas possuem perfil familiar, respondendo por aproximadamente 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e 75% dos empregos formais, conforme apuração realizada pelo IBGE. Apesar da representatividade, um estudo do Observatório Nacional da Indústria e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) aponta que apenas 30% das empresas familiares chegam à segunda geração e somente 5% alcançam a terceira.
Participante da primeira edição da Jornada de Sucessão Empresarial da Academia de Líderes do IEL, a engenheira mecânica da Projelmec, Laura Baldissera, destaca que as discussões sobre governança e relacionamento entre gerações foram enriquecidas pela troca de experiências com representantes de outras empresas familiares. A Projelmec integrou um grupo de oito famílias empresárias gaúchas que participaram da primeira edição da Jornada, desenvolvida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio do núcleo nacional do IEL e do Fórum Nacional de Novos Líderes Industriais. A iniciativa contou com a parceria da Cambridge Family Enterprise Group (CFEG) e da Academia de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), e foi executada no Rio Grande do Sul pelo Sistema FIERGS, por meio do IEL-RS e do Conselho de Desenvolvimento de Lideranças (Conlider).
Um dos principais aprendizados apontados por Laura Baldissera foi compreender que os desafios enfrentados pelas organizações são frequentemente compartilhados, independentemente do porte ou do setor de atuação. Nesse sentido, a engenheira avalia que “o patrimônio mais difícil de preservar não está nos prédios, nas máquinas ou nos números. Está nas relações, nos valores e na capacidade de preparar a próxima geração para escrever os próximos capítulos da história”.
Ao longo da Jornada, que durou cerca de um ano, representantes da primeira, segunda e terceira gerações compartilharam experiências, desafios e aprendizados relacionados à continuidade dos negócios familiares. O programa abordou temas como governança, desenvolvimento de lideranças, alinhamento entre interesses da família e necessidades da empresa, além da elaboração de planos sucessórios aplicáveis à realidade de cada organização.
A iniciativa também buscou estimular a construção de mecanismos capazes de fortalecer a sustentabilidade dos negócios no longo prazo. Para os participantes, o processo permitiu refletir sobre a relação entre crescimento empresarial, organização da governança e equilíbrio familiar. “Vemos que a sucessão representa a construção de uma governança sólida capaz de garantir a continuidade do negócio no longo prazo”, afirmou o diretor administrativo da Vinícola Casa Pedrucci, Guilherme Pedrucci. Segundo ele, a preparação sucessória exige mecanismos capazes de alinhar valores, profissionalizar processos e preparar as empresas para os desafios do futuro.
A conclusão da primeira turma da Jornada de Sucessão Empresarial no Brasil reforça o protagonismo do Rio Grande do Sul na promoção de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de lideranças empresariais e à longevidade dos negócios. Ao conectar diferentes gerações em torno de uma agenda estruturada de capacitação e troca de experiências, contribui para fortalecer a indústria gaúcha e preparar empresas familiares para os próximos ciclos de crescimento