A Associação Terra Indígena Toldo Guarani, localizada em Benjamin Constant do Sul, conquistou um importante reconhecimento nacional ao ser pré-selecionada no edital Soluções Climáticas a Partir da Base, promovido pelo Fundo Brasil de Direitos Humanos. A organização está entre apenas 48 iniciativas selecionadas em todo o país, após um processo que recebeu 589 propostas de organizações da sociedade civil das cinco regiões brasileiras.
A associação foi contemplada por meio do Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno, no Eixo 1, voltado ao fortalecimento institucional de organizações de base. Nesta modalidade, as iniciativas poderão receber apoio de até R$ 50 mil, após a conclusão das etapas de análise técnica, documental e contratual previstas pelo edital. O reconhecimento demonstra a relevância do trabalho desenvolvido pela comunidade Guarani na preservação ambiental, na valorização da cultura indígena e na construção de soluções sustentáveis diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Nesta segunda edição do edital conjunto, o Fundo Brasil de Direitos Humanos ampliou o investimento inicialmente previsto e anunciou o apoio a 48 organizações, distribuídas em 21 estados brasileiros, totalizando R$ 2,85 milhões destinados a projetos voltados à justiça climática, à proteção dos territórios e à construção de uma transição ecológica justa.
O edital reúne duas importantes iniciativas do Fundo Brasil: o Raízes – Justiça Climática para Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, voltado ao fortalecimento de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, e o Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno, destinado ao fortalecimento de organizações que atuam na defesa dos direitos dos trabalhadores e na construção de soluções sustentáveis para os impactos das mudanças climáticas.
O processo de seleção foi altamente concorrido. Após uma triagem técnica inicial, as propostas passaram pela avaliação de comitês independentes compostos por especialistas, lideranças indígenas, quilombolas, ambientalistas e representantes da sociedade civil. As organizações anunciadas foram classificadas como pré-selecionadas, etapa que antecede a análise documental e contratual necessária para a formalização do apoio.
As iniciativas contempladas pelo edital desenvolvem ações relacionadas à defesa dos territórios, fortalecimento institucional, monitoramento dos impactos das mudanças climáticas, recuperação de áreas degradadas, sociobioeconomia, segurança alimentar, agroecologia, valorização dos saberes ancestrais, formação de lideranças e fortalecimento da participação das comunidades na construção das políticas públicas voltadas à justiça climática.
Grande parte desse avanço também está relacionada ao trabalho técnico desenvolvido por Renan Roque Tonatto Mariano, administrador formado que decidiu colocar sua formação acadêmica a serviço da comunidade indígena. Atuando diretamente junto à Associação Terra Indígena Toldo Guarani, ele é responsável pela elaboração de projetos, prestação de contas, gestão administrativa e captação de recursos junto a órgãos públicos, fundações e organizações nacionais.
Seu trabalho tem contribuído para ampliar as oportunidades da comunidade, transformando boas ideias em projetos estruturados que fortalecem a cultura Guarani, promovem a conservação ambiental e ampliam a visibilidade da Terra Indígena Toldo Guarani nos cenários estadual e nacional. A atuação técnica desenvolvida também tem possibilitado à associação acessar editais e programas que incentivam iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável e ao fortalecimento das comunidades indígenas.
A expectativa é que esse reconhecimento possibilite a continuidade das ações desenvolvidas pela associação, ampliando oportunidades para novos investimentos em educação ambiental, fortalecimento cultural, proteção da Mata Atlântica, produção sustentável, segurança alimentar e valorização dos conhecimentos tradicionais, sempre respeitando os modos de vida e a autonomia da comunidade Guarani.
A pré-seleção da Associação Terra Indígena Toldo Guarani reforça o protagonismo dos povos indígenas na preservação dos biomas brasileiros e evidencia a importância dos conhecimentos tradicionais na construção de soluções para enfrentar a crise climática. O reconhecimento nacional também fortalece a atuação da comunidade na defesa de seus direitos, da cultura indígena e da proteção do território para as futuras gerações.