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Saúde

Erechim tem vacinação abaixo da meta e registra 16 internações por Influenza

Cobertura dos grupos prioritários está abaixo do esperado e preocupa autoridades com a chegada do inverno

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Os profissionais lembram que a vacina da gripe está disponível para toda a população de Erechim, a p
A vacina da gripe está disponível para toda a população de Erechim, a partir dos 6 meses de idade na
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto TV Bom Dia e Arquivo Comunicação PME

Erechim já contabiliza 27 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026. Desses casos, 16 tiveram confirmação para Influenza. Apesar de não haver registro de mortes relacionadas à doença neste ano, os números acendem um alerta para a rede pública de saúde, especialmente diante da baixa adesão à vacinação.

A coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Catia Banaszeski, explica que o cenário preocupa justamente porque ocorre durante uma ampla campanha de imunização.

“Teríamos que chegar a 90% dessa porcentagem e hoje nós estamos próximos a 50%. Então nos preocupa e estamos trabalhando e intensificando para que esse público se vacine”.

Segundo ela, os casos mais graves exigem internações hospitalares e podem demandar leitos de UTI, aumentando a pressão sobre hospitais e unidades básicas de saúde.

“Isso nos preocupa enquanto serviço público de saúde, porque pode gerar uma falta de leito nos hospitais, até uma possibilidade de faltas de consultas nas unidades básicas de saúde, porque acabam acontecendo uma quantidade maior de casos respiratórios”.

Município ampliou estratégias para aumentar cobertura vacinal

A vacinação contra a gripe em Erechim começou em 28 de março, inicialmente com ações voltadas a idosos acima de 80 anos e pessoas acamadas, imunizadas em suas próprias residências. Cerca de 400 doses foram aplicadas nessa primeira etapa.

Desde então, a Secretaria Municipal de Saúde ampliou as estratégias para alcançar a população. Além da oferta permanente nas unidades básicas, equipes realizaram ações em mercados, na Feira do Produtor, na Esquina Democrática e em escolas municipais, estaduais e particulares.

O secretário municipal de Saúde, Vianei Mueller, afirma que as iniciativas contribuíram para elevar os índices de vacinação, mas ainda estão longe da meta estabelecida.

“Isso também nos ajudou a elevar os índices, mas pelo que a gente conversa e a gente percebe, a gente sabe que ainda os dados são insuficientes e esses dados hoje que giram em torno de 47% dos grupos prioritários ainda são baixos. Imagina se não fosse feita nenhuma dessas ações? Os números seriam bem menores”.

Baixa cobertura pode agravar cenário durante o inverno

A chegada do inverno aumenta a circulação dos vírus respiratórios, elevando o risco de novas internações. Conforme Vianei, os dados históricos mostram que coberturas vacinais mais baixas costumam resultar em maior procura por atendimentos de urgência e hospitalizações. “A gente percebe isso ao longo dos últimos anos. Quanto menor o número de vacinados, menor a cobertura vacinal, a tendência é que a gente tenha maiores picos de internação e de procura nos prontos socorros”.

O secretário observa que o Hospital Santa Terezinha já enfrenta superlotação e que o município trabalha para evitar a necessidade de transferências de pacientes para outras cidades.

Vacinação é apontada como principal forma de prevenção

“A gente tem a opção de se vacinar ou não. Não é obrigatório se vacinar. A gente passa os dados que os técnicos nos passam para que você se vacine, porque é importante, porque protege você e protege de uma forma coletiva toda a comunidade. Mas esse é um poder de escolha que vai até a entrada da porta do hospital. No momento em que você realmente não se vacinou e que você procurar o hospital, procurar o pronto-socorro e que você tiver que entrar, a partir dali você não tem mais opção de escolha”, coloca Vianei.

É importante lembrar que a proteção não é imediata. Catia explica que a imunização leva entre 12 e 15 dias para produzir anticorpos suficientes e que quanto antes a aplicação for realizada, melhor será a proteção durante o período de maior circulação viral.

Crianças apresentam uma das menores coberturas vacinais

Entre os grupos prioritários, a situação mais preocupante está entre as crianças. Enquanto a cobertura geral dos públicos prioritários está em 47,87%, no público infantil o índice chega a apenas 37,47%.

Para Catia, a decisão dos pais tem influência direta nesses números. “A gente vai até a porta da escola, aguarda o pai chegar para vir buscar o seu filho e vacina junto com o pai ou com a mãe ou com o responsável, porque também é uma forma de não ter medo, de gerar aquela atenção, aquele aconchego, que a gente sabe que as crianças têm medo da picada, têm medo da agulha”.

Desinformação ainda influencia decisão de parte da população

A queda nas coberturas vacinais observada nos últimos anos também está relacionada à disseminação de informações falsas e à redução da percepção dos riscos de doenças preveníveis.

Vianei avalia que gerações mais jovens não vivenciaram epidemias que marcaram décadas anteriores e que foram controladas graças à vacinação.

“Hoje os dados do governo do estado mostram que quem está internado ou foi a óbito, mais de 90% são não vacinados. Se esse é um dado que não te convence a vacinar, é difícil de achar outra informação, fora o conteúdo científico de pessoas que estudam 10, 15, 20 anos para desenvolver uma vacina, que possa te convencer”.

O secretário lembra ainda que os próprios profissionais da saúde costumam buscar a vacinação o mais cedo possível. “Se eles querem se vacinar o quanto antes e tem o conhecimento, eles sabem que aquilo faz diferença e que vai protege-los a médio e longo prazo”.

Vacina protege contra casos graves

A vacina disponível na rede pública é trivalente, oferecendo proteção contra três cepas do vírus Influenza, enquanto na rede privada, a versão da vacina é quadrivalente.

Catia explica que a imunização reduz principalmente o risco de evolução para quadros graves, internações e necessidade de tratamento intensivo, mas lembra que há outros vírus e bactérias circulantes. “A gente consegue prevenir casos de influenza, desses três sorotipos com a vacina e os outros vírus e bactérias estão no meio-ambiente, podendo sim ainda causar doenças”.

Os grupos considerados prioritários são crianças menores de seis anos, idosos e gestantes, por apresentarem maior risco de agravamento da doença.

Meta de 90% está distante

Mesmo com as ações realizadas ao longo dos últimos meses, a Secretaria Municipal de Saúde admite que atingir a meta de 90% de cobertura vacinal se tornou improvável.

“Temos a ciência de que nós não atingiremos os 90%. A gente trabalha muito, a gente está proporcionando para a população diversos momentos e locais diferentes e a gente percebe que não tem aquele engajamento e a gente tá no início do inverno. A gente já deveria estar próximo dos 90% agora. Porque agora é o auge”.

Para Vianei, uma cobertura mais elevada teria impacto direto na ocupação dos hospitais. “Se nós chegássemos nos 90%, tenho certeza de que a gente teria dentro do hospital leitos para que a gente pudesse utilizar para outras patologias. Porque não se interna só por gripe no inverno. Todos os outros problemas de saúde continuam acontecendo”.

Ele também relaciona a vacinação à sustentabilidade do sistema público. “Se a gente se vacinar, a gente se protege enquanto comunidade. Se protegendo enquanto comunidade, a gente protege o Sistema Único de Saúde”.

Mais de 2,3 mil faltas impactam atendimentos na rede pública

Outro dado que preocupa a Secretaria Municipal de Saúde é o número de faltas registradas em consultas, exames e procedimentos agendados. Somente em maio foram 2.319 ausências.

Segundo Vianei, além de prejudicar o tratamento dos próprios pacientes, o problema afeta diretamente o funcionamento da rede. “A consequência imediata é o aumento do tempo para minha consulta, para tua consulta, para quem realmente tá com a intenção de se tratar”.

O secretário também chama atenção para os custos gerados pela ociosidade de profissionais e estruturas preparadas para atender pacientes que não comparecem. “A gente sempre pede que se você tiver como avisar, caso você saiba que não vai conseguir comparecer, liga na tua unidade, liga na Secretaria de Saúde e avisa para que a gente possa disponibilizar aquela vaga para outra pessoa e reagendar o teu atendimento.”

Catia lembra que a ausência pode atrasar diagnósticos e obrigar o paciente a reiniciar etapas do processo. “Quando você falta em um exame, normalmente você tem que fazer mais uma guia de exame. Para você solicitar mais uma guia de exame, você tem que passar por uma nova consulta médica”.

Saúde faz novo apelo à população

Com o avanço do inverno e o aumento da circulação dos vírus respiratórios, a orientação das autoridades de saúde é que a população procure as unidades para se imunizar o quanto antes.

“Hoje a gente não tem óbitos, mas se continuarmos nesse cenário, daqui a pouco a gente vai ter notícias ruins que a gente não gostaria de que acontecesse”, afirma Catia.

Vianei acredita que a conscientização da população é um processo gradual e que espaços de informação são fundamentais para ampliar a adesão. “Não se sai de 47% para 90% em um ou dois anos, mas eu acho que com esse tipo de espaço, com esse tipo de conversa com a população, a gente consegue disponibilizar conhecimento e o tamanho do trabalho que é feito por trás de quem está lá na ponta aplicando as doses e nos ajudando a proteger a população”.

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