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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental e Sul – Suíça – Lugano II

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Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Lugano, na Suíça, cidade de grande beleza que preserva uma nobre história. Muito de sua arquitetura lembra as ricas propriedades de famílias aristocráticas que nela viveram. Lugano ocupa um lugar destacado, de grande beleza, às margens do lago de mesmo nome. O idioma oficial é o italiano, embora muitos dialetos sejam usados. Observando um mapa, é perfeitamente possível notar que a cidade encontra-se bem ao sul da Suíça, adentrando o norte da Itália. Por isso, há grande identificação com ela e com os italianos, pois muitos destes vão trabalhar em Lugano ou na Suíça. Nem é necessário lá residir. Em 20 minutos, de trem, cruzam as fronteiras. A população de Lugano costuma fazer muitas compras do dia a dia na Itália. Passam a fronteira, pois sai muito mais em conta.

Hotel Villa Príncipe Leopoldo: foi o local da nossa estada em Lugano. Realmente, foi o lugar para sentir “La dolce vita à moda suíça!”. Uma mansão de tijolos vermelho-ocre, construída em 1868 pela aristocrática família prussiana dos Von Hohenzollern, no estilo italiano. Hoje é um residence-hotel que ostenta todas as estrelas. A construção é de muita imponência, tanto pela sua aparência externa quanto pelo seu interior. Está localizada no topo da Collina d’Oro, com uma bela vista para o Lago de Lugano. Nossas suítes tinham vista para o lago. Estas eram muito luxuosas e possuíam sacadas que se abriam para os jardins, oferecendo uma bela visão das montanhas e das águas. Um corredor margeado por colunas e bustos de membros da família prussiana levava às suítes. As estátuas eram tão perfeitas que, ao passar por elas, podia-se desejar uma boa-noite. Isto foi motivo de risos, pois realmente aconteceu.

A sala de jantar mais bela da região: esta sala foi reservada para o jantar do nosso grupo. Muito requintado o ambiente, com lustres de cristal, grandes espelhos, abajures, cortinas de seda brocada e veludo vermelho. A mesa, para todo o grupo, estava coberta por alvas toalhas de linho com monogramas. Uma baixela de porcelana alva com monogramas, talheres dourados e muitos cristais compunham a decoração. Bem, a suntuosidade do ambiente pediu também uma boa apresentação. Vestimos nossos trajes formais, inclusive gravata, e fomos para a noite de gala. O jantar teve um serviço demorado, servido em etapas, com brindes regados a vinho italiano. Foi uma vivência muito agradável e nos permitiu usufruir momentos daquela bela realidade. Após, ainda tivemos momentos no piano-bar, onde um pianista italiano executava músicas do clássico popular. Uma noite para ser recordada para sempre. Tudo sempre rimando com o bom gosto e a qualidade.

Visita do Governador de Rotary do Distrito 4740 da Suíça: antes do jantar, meu marido e eu fomos até o hall da Villa e encontramos o Governador de Rotary do Distrito 4740, que estava fazendo sua visita oficial a Lugano. Ele residia em Zurich. A Suíça possui três Distritos do Rotary Club. Logo o identificamos e nos apresentamos. Ele falava italiano, alemão e inglês. Meu marido informou-lhe que também havia sido Governador do Distrito 4700, no Brasil. Ficamos conversando e o Governador, tomando meu marido pelo braço, levou-o para se apresentar aos companheiros em outro salão da Príncipe Leopoldo. Foram gestos que confirmam a “internacionalidade do Rotary Club”. Meu marido não ficou para o jantar-reunião, pois, naquele momento, também aconteceria o nosso. A despedida foi marcada por uma salva de palmas e abraços entre os governadores e o presidente local. Mais tarde, já em casa, recebemos um agradecimento do Governador do Distrito 4740 e um convite para uma visita, o qual gentilmente agradecemos.

Appenzellerland: depois de Lugano, fomos para Appenzellerland. Andamos por mais de hora entre montanhas. Passamos por lagos e lindos vilarejos plenos de tradições. Appenzeller está localizada na Suíça Oriental. Suas ruazinhas e casas de madeira pintadas, de até três andares, exibem figuras com trajes típicos locais. Lindas pastagens. As placas do comércio, em ferro forjado, como na Idade Média, indicavam a especialidade dos estabelecimentos. Estas não possuíam nomes, mas sim figuras representativas da atividade. Tudo muito encantador e aconchegante. Localizada no nordeste da Suíça, tem o queijo e outros produtos lácteos como a base da economia local. A cooperativa Stein emprega muitos dos habitantes e é a forte representação econômica da região. As colinas ao redor são habitadas por famílias que criam gado leiteiro e também cabras. Como o inverno ainda não havia chegado, um tapete verde com flores circundava as graciosas casas de madeira da montanha. Um teleférico conduz ao Monte Säntis, que, do alto, permite a visão do Vale do Rio Reno.

Passeando pelo local: de repente, chegou um rebanho de vacas enfeitadas com flores, sinos e fitas, passando pela ruazinha central. Conta-se que cada sino possui um som próprio, identificado pelo proprietário. O condutor era um jovem com roupagem tradicional, uma vara nas mãos, cantando o “yodel”. Este canto é uma espécie de comunicação, feita por meio de gritos agudos e assovios, para comandar os rebanhos e também para sinalizar a presença entre pastores nos vales e montanhas, seria o “larei, olerei”.

Restaurante Sonne em Appenzeller: a família é de gerações desde a era medieval. Localizado na pracinha do centro histórico de St. Gallen, é um casarão de madeira pintado de amarelo e vermelho, com figuras folclóricas. As mesas e cadeiras são de madeira clara. O pedido foi um prato regional: salsicha grelhada com massa “spätzle” — um nhoque alemão — com molho de queijo e alho-poró. Uma delícia! O pedido também poderia ter sido um “fondue” de queijo. Finalizando esta deliciosa visita, as lembranças de viagem não foram esquecidas: casinhas de madeira como as locais, bonecas com trajes típicos, pães de mel decorados, caramelos de mel, sinos como os dos rebanhos e uma deliciosa limonada em garrafinhas. Esta serviu para degustarmos durante a continuação da viagem para Liechtenstein.

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