O namoro em tempos passados era uma época doce, leve, cheia de perspectivas, esperas, imaginação nervosa, temor dos pais. Escolha do melhor vestido para ir à missa dominical. Nas procissões o olhar se concentrava em descobrir onde estava o mocinho encantador. Nos matinês no Ideal ou cine Luz, ninguém podia permitir que se unissem as mãos. Beijos, jamais! As recomendações eram das mães, zelosas ao extremo.
Lembro que ao estudar a “História de longa duração”, compreendia-se como demorava (em épocas ou sociedades) para ser alterado, um dogma, um costume. Por exemplo sobre a virgindade, sobre o adultério, ou sobre a aceitação da mulher na política, etc, etc.
Falo com nostalgia, mas sem criticar as alterações que os tempos trazem. Entretanto, me permito fazer comparações, talvez consideradas rabugices.
Parece-me que os namoros, os afetos de ontem eram mais bonitos, mais emocionantes, embora alguns tenham sido tão fogosos que acabavam com um “obrigado a casar, nem que fosse com uma espingarda paterna na nuca do atrevido”.
Lembro do meu primeiro (e único verdadeiro) amor. Eu ficava fingindo varrer a entrada da casa, a mais bonita em que residi, somente para olhar o rapazinho que seguidamente me olhava lá da oficina dos compadres de meus pais, “Bergamin x Bordignon”.
Outras vezes, ele ia juntar guavirovas, nos fundos de nosso lote, e eu, bobinha cheia de medo, só ficava espiando-o da janela, atrás da cortina. Só ouvi sua voz 5 ou 6 vezes, nunca nos tocamos, porém lembro nitidamente sua voz. A emoção genuína e inesquecível dos pequenos olhares é um tesouro, ganho por poucos.
Atualmente, na rapidez da líquida e fluída vida que se leva, as emoções não possuem raízes, e sem as regas das águas do respeito e consideração, secam e fenecem.
Os momentos de rara e verdadeira emoção que vivi na juventude, sempre asfixiada pelos dogmas e receios, eram suficientes, não havia necessidade do “mais”.
Tempos diferentes. Agora sinto pena, lastimo os amores de primeiras vezes, consumados na fúria do desejo, na falta de sinceridade e profundidade, o que está levando ao desgosto da implosão das famílias que são, em verdade, o lastro das sociedades.
Observo com verdadeiro e bom sentimento, muitas amigas e amigos que namoraram, casaram-se e ainda namoram seus amores ao longo do tempo.
Homenagearei alguns casais do meu convívio, e com eles, presto homenagem a todos os “Ainda Namorados”, cito tia Zaira que amou até morrer seu namorado Amâncio. Lembro do amigo Marco Aurélio, grande protetor da cultura e sua linda Pamela, cujo sorriso ilumina onde chega. Também a amiga Lourdes que namora nas fotos e lembra muito do amado Milton, falecido. Recordo do querido casal Luís Carlos Zago e Magda, sempre unidos, sorridentes em preciosa cumplicidade, gentis e afáveis com todos.
Igualmente o amigo Roland Koller e sua mimosa esposa, em belas conversas nos almoços.
Lembro o alegre Lili e sua bonita Margarete, sempre presenteada com belíssimas lingeries e roupas de grife. Tenho presenciado também o namoro do Pavam e sua meiga Mari, sempre de mãos dadas e conversando.
Convivo com aprendizado com a querida Maria Beatriz namorando sempre com o Nado-Leonardo, cuidadosos e amorosos com seus cães, e com a família.
Não posso esquecer da amiga muito preciosa, a Vilminha, generosa anfitriã, com suas comidinhas deliciosas e o extremo e zeloso cuidado com seu amor, o Dr. Mauro.
A culta e delicada amiga Silvia, extremosa esposa de Pilotto, é lembrada também.
Não esqueço nunca, da amiga do coração, a generosa Carmen com cuidados extremos com seu sempre namorado Marcos.
Admiro demais duas mulheres brilhantes e competentes que criaram famílias que enfeitam a sociedade: a Sandra Bordini do SESC e a Giovana Veiga Dariva que ainda namoram seus esposos.
Tenho profundo carinho pela Elenita, ainda namorando e cuidando com dedicação do seu eterno namorado, o Dr. Tulio.
Os que ainda namoram seus amores, nos dão um belo exemplo e esperança de um mundo mais ético e promissor.