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Economia

Tarifaço de Trump acende sinal de alerta para exportações gaúchas

Empresário de Erechim, Walmir Badalotti pontua que ainda é cedo, mas que após medida vai sobrar para o Estado e Erechim

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Por Assessoria
Foto Arquivo BD

 As novas barreiras comerciais anunciadas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump voltaram a gerar preocupação entre exportadores brasileiros. A proposta em análise pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) prevê uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros e pode provocar impactos significativos na economia do Rio Grande do Sul, um dos estados mais dependentes do comércio com o mercado norte-americano.

 Embora produtos estratégicos como café, carne bovina, energia e alguns metais tenham sido incluídos entre as exceções previstas inicialmente, a lista de itens sujeitos à nova taxação continua extensa e afeta setores importantes da economia gaúcha.

 De acordo com uma nota técnica divulgada pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), cerca de 81,1% das exportações gaúchas destinadas aos Estados Unidos podem ser alcançadas pela sobretaxa. Em valores, isso representa aproximadamente US$ 1,34 bilhão em mercadorias potencialmente impactadas. Somente no agronegócio, o percentual chega a 74,9% das vendas externas para os norte-americanos.

 A preocupação é maior porque a pauta exportadora gaúcha possui características diferentes da média nacional. Enquanto alguns dos principais produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos ficaram fora da lista de sobretaxação, itens relevantes para o Rio Grande do Sul permanecem expostos às novas tarifas.

 Entre os segmentos mais vulneráveis estão o tabaco, a madeira e produtos florestais, além de parte da indústria de transformação. O fumo tipo Virgínia, por exemplo, responde por uma parcela significativa das exportações gaúchas ao mercado norte-americano e poderá enfrentar aumento de custos que reduzam sua competitividade. Também aparecem entre os produtos mais expostos a madeira serrada de pinus, calçados de couro e derivados da pecuária.

 Além dos reflexos diretos nas exportações, especialistas alertam para efeitos indiretos sobre toda a cadeia produtiva. Menores vendas ao exterior podem resultar em redução de investimentos, desaceleração da produção industrial, menor demanda por transporte e logística e impactos sobre a geração de empregos em setores ligados ao comércio internacional. A própria Farsul estima que o impacto tarifário potencial sobre os produtos gaúchos possa alcançar cerca de US$ 334 milhões, embora os efeitos finais dependam das negociações e da versão definitiva das medidas.

 Outro ponto de atenção é a política protecionista dos Estados Unidos para os setores de aço, alumínio e cobre. Nesta semana, Trump assinou novas alterações em tarifas relacionadas a produtos industriais considerados estratégicos para a economia norte-americana, reforçando a tendência de proteção da indústria local.

 O cenário ainda está em discussão e poderá sofrer mudanças após o período de consultas públicas aberto pelo governo dos Estados Unidos. Entretanto, entidades do setor produtivo acompanham as negociações com cautela, temendo perda de competitividade e redução de mercado para produtos brasileiros.

 Para o Rio Grande do Sul, cuja economia possui forte presença do agronegócio, da indústria metalmecânica, do setor madeireiro e da cadeia exportadora de tabaco, a definição das regras finais poderá representar um dos principais desafios comerciais de 2026.

Walmir Badalotti (Brastelha)

 Em Erechim e região, lideranças empresariais acompanham o cenário com atenção. Para o empresário erechinense, presidente da Brastelha, Walmir Badalotti, ainda é um pouco cedo para medir as possíveis consequências, mas que evidentemente alguma coisa vai sobrar para o estado do Rio Grande do Sul e para o município de Erechim.

         Como exemplo, Badalotti destaca o subproduto do biodiesel, como os móveis que possuem clientes nos Estados Unidos, peças para a produção de máquinas, como tratores. “Enfim, a indústria metalúrgica certamente será afetada também. Não se sabe ainda o impacto, ou seja, o percentual, mas sempre alguma coisa vai refletir nestes setores que serão impactados com os tarifaços, pois perderão competitividade. Não sabemos se ele vai perdurar para sempre ou que tenha uma data de validade, pois ainda há muita confusão”.

         Walmir lembra que o governo americano tem se reportado diariamente mudando as regras, ou seja, uma hora tem um percentual e após tem outro, o que acaba confundindo a classe empresarial. “A diplomacia brasileira vai tentar negociar com o governo americano nos próximos dias para ver realmente o que será impactado no Brasil, estado e município.

  Um fator que nos deixa sem preocupação é a questão da carne, pois muito do que é produzido no Brasil é exportado para fora. A carne ficou fora da lista. Teremos que conhecer bem a lista dos que foram impactados e os que não sofreram consequências. Sempre algum impacto vai ocasionar. São as regras internacionais, mas temos que continuar o nosso dia a dia produzindo, trabalhando e enfrentando as dificuldades”, reforça.

 Para o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), os novos movimentos do governo norte-americano reforçam a necessidade de diversificação de mercados e de fortalecimento da competitividade das empresas locais diante de um ambiente internacional cada vez mais instável.

Legenda: Presidente da Brastelha, Walmir Badalotti

Foto: Arquivo BD

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