Neste 5 de junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, a Emater/RS-Ascar chama a atenção para a necessidade de ampliar as ações de preservação ambiental e adaptação às mudanças climáticas no meio rural. A instituição ressalta que práticas como a conservação do solo, a recuperação de matas ciliares e a proteção das Áreas de Preservação Permanente (APPs) são fundamentais para garantir a produção agropecuária e reduzir os impactos de eventos extremos, como estiagens e enchentes.
O tema definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a data neste ano é a Ação Climática, destacando a urgência de medidas concretas para enfrentar os efeitos das mudanças no clima.
Segundo o coordenador estadual de Educação Ambiental da Emater/RS-Ascar, Gabriel Katz, é necessário investir em ações preventivas diante dos desafios impostos ao campo. “As comunidades rurais fazem parte da solução. A recuperação ambiental significa mais infiltração de água no solo, menos erosão, menos perdas na produção e mais segurança para quem vive e trabalha no meio rural”, afirma.
A Emater/RS-Ascar desenvolve ações permanentes de educação ambiental junto a agricultores familiares, pecuaristas, pescadores artesanais, assentados, indígenas e quilombolas. O trabalho inclui orientações sobre manejo do solo e da água, adaptação climática, gestão ambiental e produção sustentável, além da realização de capacitações, dias de campo e assistência técnica gratuita.
Programas como o ABC+RS e a Operação Terra Forte transformam conhecimento em práticas capazes de tornar as propriedades mais resilientes diante das novas condições climáticas. O objetivo é preparar as famílias rurais para enfrentar períodos de seca prolongada e chuvas intensas, reduzindo prejuízos econômicos e sociais.
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul enfrentou uma sequência de eventos extremos, incluindo estiagens severas e enchentes históricas. De acordo com Katz, a falta de cobertura vegetal, o manejo inadequado do solo e a ausência de matas ciliares agravam os impactos das chuvas intensas, reduzindo a capacidade de absorção da água e aumentando os riscos de erosão, assoreamento e deslizamentos.
As matas ciliares desempenham papel essencial nesse processo, protegendo as margens dos rios, regulando o fluxo hídrico e funcionando como filtros naturais para sedimentos e resíduos que poderiam contaminar os cursos d’água.
A instituição também destaca os prejuízos causados pelas estiagens recentes. Entre 2020 e 2023, uma das secas mais severas das últimas décadas provocou perdas expressivas na produção agrícola gaúcha e comprometeu o abastecimento de água em milhares de propriedades rurais.
Por isso, a Emater/RS-Ascar incentiva práticas como recuperação e conservação de APPs, implantação de cisternas, reservação de água, irrigação eficiente e adoção de sistemas de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono. As iniciativas integram políticas públicas voltadas à sustentabilidade, à segurança hídrica e ao fortalecimento da agricultura familiar.
Para Gabriel Katz, a crise climática ultrapassa a questão ambiental. “É um desafio humano, social e territorial. O futuro ainda pode ser cultivado com escolhas conscientes feitas no presente. Produzir com responsabilidade hoje é reduzir riscos no amanhã”, conclui.