A relação entre homem e cão atravessa séculos de parceria, confiança e proteção. Nas forças de segurança, essa conexão ganha um papel ainda mais estratégico através das unidades K9, formadas por policiais altamente treinados e cães preparados para atuar em operações de combate ao crime, localização de drogas, armas, explosivos e até em missões de busca e salvamento.
Cada cão passa por um rigoroso processo de treinamento que envolve obediência, condicionamento físico, socialização e técnicas específicas de faro. O trabalho exige sintonia total entre o policial e o animal, formando uma dupla capaz de agir em situações de pressão e risco.
Muito além da imagem imponente que chama atenção da população, os cães policiais desempenham funções fundamentais em barreiras policiais, revistas, ações em áreas de mata e operações especiais. Com um olfato extremamente apurado, conseguem localizar substâncias e objetos escondidos em locais onde muitas vezes a percepção humana não alcança.
O vínculo criado entre policial e cão costuma ser intenso. Em muitos casos, o animal acompanha diariamente o agente durante anos, desenvolvendo confiança e obediência que vão além do treinamento técnico. Após o período de atuação, muitos cães acabam aposentados ao lado dos próprios condutores.
Nesta reportagem especial, a equipe do Grupo Bom Dia de Comunicação, TV e jornal, acompanhou a rotina de um policial e seu cão K9, mostrando os treinamentos, desafios da profissão e histórias vividas em operações que reforçam a importância desses verdadeiros parceiros de quatro patas na segurança pública.
Verdadeira sincronia
“Verdadeira sincronia”, assim podemos definir a amizade e o comprometimento entre o treinador e seu cachorro durante simulação que acompanhamos na tarde desta quarta-feira, 27, em terreno próximo a Delegacia Regional de Polícia em Erechim.
Podemos descrever as imagens como um momento mágico, cronológico e de parceria entre o Inspetor de Polícia Eduardo Boeing e o pastor alemão de seis anos de idade, Hunter, que chegou junto à corporação com apenas 40 dias e que hoje, entre suas ações, já deu um prejuízo de quase um milhão para o crime na localização de drogas como maconha, cocaína e outras substâncias.
Hunter é para Eduardo como um membro da família, ou seja, aonde um vai, o outro acompanha 24 horas por dia, já que o mesmo mora com seu treinador para que se tenha uma sincronia constante, onde um passa a conhecer cada vez mais o outro e desta união resulta um excelente trabalho no combate ao crime organizado.
“O cão chega para nós desde quando desmama e, a partir de então inicia o treinamento através de estímulos e todas as habilidades que possam ser desenvolvidas para o trabalho. A partir dos três meses se começa a trabalhar outros estímulos que são espécie de brincadeiras, a exemplo da caça. No caso do Hunter ele faz faro de narcóticos e armas, ou seja, sua maior habilidade está no olfato”, pontua Eduardo.
Para o cão é tudo uma brincadeira iniciando desse quando é filhote. “Estimular a caça e brincadeiras, e posteriormente os odores são apresentados. Escolhemos o odor que o cão irá utilizar, dependendo do tipo de treinamento. No caso de Hunter, os trabalhos iniciaram efetivamente no combate ao crime quando ele tinha um ano de idade”.
Dentro de sua rotina de trabalho, Hunter tem a atribuição de encontrar aquilo que os policiais não conseguem encontrar, como drogas escondidas em armários, veículos, compartimentos e até mesmo dentro de um videogame, como aconteceu em uma oportunidade em uma busca dentro de um apartamento. Na oportunidade Hunter localizou e havia 200 gramas de cocaína dentro do aparelho.
O Hunter, especificamente, trabalha somente com Eduardo. “Não obedece a ninguém além de mim. Nenhum outro policial na região tem conhecimento e habilitação para trabalhar com cão farejador. Em algumas corporações Brasil afora alguns cachorros trabalham com vários policiais”, ressalta Eduardo.
Conforme o instrutor o tema segurança do animal também é levado muito a sério, pois antes de qualquer ação, existe um treinamento para que toda ação ocorra da melhor forma possível. Para trabalhar com cães, Eduardo traçou um bom caminho em cursos e treinamentos, como na Base Aérea de Santa Maria, além de outros na cidade de Uruguaiana e em Santa Catarina, ou seja, um preparo para trabalhar com Hunter. Hoje, entre as raças específicas para trabalhar com a polícia são, além do Pastor Alemão, o Pastor Belga e outras raças de pequeno porte.
Legenda: Eduardo Boeing e Hunter
Legenda 01: Hunter farejando maconha escondida na vegetação