Celebrado em 27 de maio, o Dia Nacional da Mata Atlântica representa mais do que uma data ambiental. É um chamado à preservação de um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, responsável por abastecer cidades, regular o clima, proteger nascentes, conservar espécies e garantir qualidade de vida para milhões de brasileiros.
Originalmente, a Mata Atlântica cobria uma extensa faixa do território brasileiro, avançando do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Hoje, porém, restam apenas fragmentos da vegetação original. Dados recentes apontam que cerca de 24% da cobertura florestal ainda permanece em diferentes estágios de regeneração, tornando o bioma um dos mais devastados do país.
Mesmo assim, a Mata Atlântica continua sendo considerada um dos ecossistemas mais biodiversos do mundo. Segundo levantamentos ambientais, abriga aproximadamente 20 mil espécies de plantas, além de centenas de espécies de aves, mamíferos, anfíbios, répteis e peixes, muitas delas ameaçadas de extinção e existentes apenas neste bioma.
Além da biodiversidade, o bioma exerce funções essenciais para o equilíbrio ambiental. A Mata Atlântica ajuda na regulação climática, protege o solo contra erosão, mantém rios e nascentes e influencia diretamente no regime de chuvas. Cerca de 80% da população brasileira vive em áreas originalmente ocupadas pelo bioma.
No Rio Grande do Sul, a situação também inspira atenção
Historicamente, a Mata Atlântica chegou a ocupar grande parte do território gaúcho. Hoje, os remanescentes encontram-se altamente fragmentados. Dados do Atlas Socioeconômico do Estado apontam que restam apenas 7,5% das áreas originais preservadas no território gaúcho.
Mesmo reduzida, a Mata Atlântica segue sendo fundamental para o Estado. É ela quem abriga importantes formações vegetais, como as matas de araucária, além de garantir proteção a recursos hídricos e à fauna regional. A preservação das florestas também ganhou ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos registrados no Rio Grande do Sul nos últimos anos.
As enchentes, temporais, estiagens severas e ondas de calor intensificaram o debate sobre a necessidade de conservação ambiental e recuperação de áreas degradadas. Especialistas apontam que florestas preservadas ajudam na absorção da água da chuva, reduzem erosões e contribuem para o equilíbrio climático regional.
Alto Uruguai
No Alto Uruguai, onde agricultura, rios e fragmentos florestais convivem lado a lado, a Mata Atlântica ainda resiste em áreas de preservação, matas ciliares e reservas particulares. A região abriga espécies nativas importantes, além de áreas de araucária e vegetação típica do bioma.
Longines Malinowski
Em Erechim, uma das principais referências de preservação ambiental é o Parque Natural Municipal Longines Malinowski, considerado um verdadeiro refúgio verde em meio à área urbana.
O parque possui cerca de 24 hectares de Mata Atlântica preservada e é classificado como Unidade de Conservação de Proteção Integral, conforme o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O espaço abriga espécies da fauna e flora regional e desempenha papel importante na educação ambiental, preservação ecológica e lazer da população.
Mantido pela Prefeitura de Erechim, o parque é reconhecido como patrimônio histórico natural do município e representa um dos principais símbolos de conservação ambiental urbana do Norte gaúcho. Além da proteção da biodiversidade, o local contribui diretamente para a qualidade do ar, regulação térmica e preservação de nascentes urbanas.
A atuação do poder público municipal também envolve ações de conscientização ambiental, incentivo à educação ecológica e manutenção de áreas verdes. Em tempos de expansão urbana e pressão ambiental crescente, iniciativas locais tornam-se fundamentais para garantir a sobrevivência dos fragmentos florestais remanescentes.
Lei da Mata Atlântica
Em todo o Brasil, a preservação da Mata Atlântica vem sendo conduzida por meio de legislações específicas, unidades de conservação, projetos de reflorestamento e ações desenvolvidas por governos, universidades, ONGs e movimentos ambientais. Entre os principais instrumentos está a Lei da Mata Atlântica, criada para regulamentar o uso e a proteção da vegetação nativa do bioma.
Apesar das ameaças históricas provocadas pelo desmatamento, expansão agrícola e crescimento urbano, os dados mais recentes também trazem sinais positivos. Relatórios divulgados em 2026 apontam que a Mata Atlântica registrou o menor índice de desmatamento dos últimos 40 anos, resultado atribuído à fiscalização, políticas ambientais e maior mobilização da sociedade.
Ainda assim, ambientalistas alertam que cada hectare preservado faz diferença para o futuro climático e ecológico do país.
No Alto Uruguai, onde nascentes, rios e pequenas propriedades rurais dependem diretamente do equilíbrio ambiental, preservar a Mata Atlântica significa proteger a própria sobrevivência regional. Árvores nativas ajudam na manutenção da água, no equilíbrio das temperaturas e na conservação da biodiversidade que sustenta a agricultura e a vida humana.
No silêncio das matas, no canto dos pássaros, nas sombras das araucárias e no fluxo invisível das nascentes, está um patrimônio natural que insiste em resistir ao tempo e à ação humana. Preservá-lo deixou de ser apenas uma escolha ambiental. Tornou-se uma necessidade urgente para garantir equilíbrio climático, qualidade de vida e sobrevivência para as próximas gerações.
Parque Natural Municipal Teixeira Soares
O Consórcio Itá, a Tractebel Energia e a Prefeitura Municipal oferecem à comunidade de Marcelino Ramos e região o Parque Natural Municipal Mata do Rio Uruguai Teixeira Soares.
A Unidade de Conservação foi construída como medida compensatória da Usina Hidrelétrica Itá, conta com 423 hectares de mata nativa e oferece aos visitantes trilhas, mirantes, passarelas, auditório e sala interativa. Tudo isso em meio à mata e em total sintonia com a natureza.
O visitante, além de conhecer a Floresta Estacional Decidual da região, pode, na sala interativa, observar por meio de painéis com fotos a história do povo que ali viveu e vive, datas históricas da região e quem são os vizinhos do parque. Esse espaço físico foi criado especialmente para abrigar a memória e resgatar a história da região.
O Centro de Visitantes foi construído com base nos projetos sustentáveis, utilizando pedras in natura remetendo as taipas, características da região, iluminação natural e aproveitamento da água das chuvas.
O Parque Natural Municipal Mata do Rio Uruguai Teixeira Soares é formado por uma Floresta Estacional Decidual, mata caracterizada por duas estações climáticas bem demarcadas, sendo uma chuvosa, seguida de longo período biologicamente seco, se constituindo um marco para a região, por restar pouquíssimos remanescentes desse tipo de ambiente.