Desde muito cedo, ainda menina, construía quimeras. Por vezes me parecia não ser do mundo dos demais.
Imaginava ambientes lindos, protegidos, luminosos, onde todos viviam em harmoniosa paz.
Todos possuíam belas casas cercadas de árvores e de flores. Por isso bem mais tarde me apaixonei pela música de Marinês Cerqueira “De jujo e de flores”.
A história de todos os povos me encantava e eu os estudava com afinco. Ler, estudar e aprender mais e mais era uma meta sempre a seguir. Desenhava na mente um caminho recheado pela ética, retidão do qual meus pais sentiriam um profundo orgulho.
Em todos os países que pude visitar, o mais importante para mim era conhecer seus “Cascos Viejos”, museus e igrejas. Quanto aprendizado! Sempre cabia mais na minha abissal fome de aprendizado!
Sempre reconheci Erechim, minha cidade, como um cadinho onde se miscigenaram povos, crenças, esperanças e dignidade. Quanto orgulho sempre nutri por esses pioneiros que forjaram a comunidade regional. Quanto respeito e admiração eu sentia a cada uma das centenas de entrevistas que gravei com nossos antepassados.
Quantos olhares de carinho por nosso patrimônio. Ali em cada casarão ou prédio ou praça eu ouvia vozes do passado, planos e projetos sendo elaborados, lágrimas de saudade! Tudo era vivo para o meu sentir. A cada unidade que ruíra ou era derrubada pela incultura ou pelo desamor, era como um pedaço de minha alma arrancada sem piedade.
Quanta lutas, quantos textos publicados, quantos abraços àquilo que desejávamos preservar.
Com Vanda, Rosely, Albano Wolkmer, Fiori, Maríndia, Ivone Demoliner e tantos outros, travamos uma luta inglória.
A batalha pelo Castelinho, igualzinha a Batalha das Ardenas ou das Termópilas, nos custou mágoas, decepções e um livro, que publiquei como resultado de meu curso de Arqueologia na URI Erechim, onde pesquisei na linha da Arqueologia Histórica “O Castelinho e a Casa Primeira Escola”. Esta já em ruínas a custas de lágrimas sentidas e muita revolta de minha parte.
O meu livro com a preciosa participação de José Albano Wolkmer, arqueóloga Fernanda Tochetto da PUC, Rosely Hachmann, Maríndia Girardello e outros arqueólogos das universidades PUC, USP e Santa Maria, parecia retratar o Castelinho em seu ocaso.
Mas, uma notícia alvissareira surgiu e todos nós brindamos: após longo batalhar de um grupo de erechinenses plenos de cultura e amor pelo que já foi construído e vivido, fará com que o nosso querido símbolo, seja restaurado, proporcionando reverência aos nossos pioneiros e oportunizando visitas, estudos, eventos, acrescentando assim, excelência patrimonial para a cidade.
O sonho lindo de visitar o Castelinho em seu esplendor, vou realizar!