Hoje vou escrever sobre outro réptil que seguidamente avistamos em volta das casas e galpões de sítios, chácaras e sedes de propriedades rurais – o famoso lagarto. Este animal também é muito benéfico ao ser humano. O mais comum chamamos de lagarto-teiú, de nome científico Salvator merianae, da ordem Squamata, da família Teiidae e do gênero Salvator. Popularmente, os teiús também são conhecidos pelos seguintes nomes comuns: teju, jacuaru, lagartiu e tegu.
Habitat: ele é encontrado em todas as regiões do Brasil e até no norte da Argentina, mas em maior abundância nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do país, com exceção da Floresta Amazônica. Possui hábitos territorialistas, generalistas e tem grande facilidade em se adequar a novos ambientes, por isso consegue se adaptar às grandes cidades. E, apesar de possuir comportamento agressivo, geralmente tende a fugir quando se sente ameaçado. É um réptil de hábitos diurnos. Se necessário, é um bom nadador. Passa boa parte do dia se aquecendo ao sol para regular a temperatura corporal, alternando com períodos de caça e exploração do território. É solitário, somente encontrando outros indivíduos principalmente na época reprodutiva. Quando ameaçado, pode emitir bufadas, inflar o corpo e utilizar a cauda para golpear seus predadores. Durante os meses mais frios, de maio ao final de agosto, entra em estado de hibernação parcial em tocas, reduzindo suas atividades metabólicas.
Características físicas: corpo robusto e musculoso, de cabeça grande e focinho alongado, coloração escura, tons de preto, com manchas e bolinhas em tom amarelo-claro e branco. Lagarto de tamanho relativamente grande, sendo o maior lagarto brasileiro; tem corpo e cauda longos e robustos, que podem atingir 50 centímetros, mas, se considerarmos desde o rabo, chega a até 2 metros no total. Possui membros curtos, fortes e adaptados para correr e escavar tocas. O peso varia de 04 a 08 quilos. Sua pele é recoberta por escamas pequenas e resistentes. Língua bifurcada, utilizada para percepção química do ambiente, semelhante à das serpentes.
Alimentação: são onívoros, comem de tudo um pouco, desde insetos, aves, roedores, anfíbios, cobras, outros lagartos, ovos de diversas espécies, frutas, mel, folhas e inclusive carniça. É na sua dieta variada que contribui com o ser humano, pois auxilia no controle de pragas e na dispersão de sementes. Possui mandíbulas fortes, capazes de quebrar cascas duras e ossos, e um sistema digestivo adaptado para processar diferentes tipos de alimento. A busca por comida é ativa, explorando o solo, galhos baixos e até ninhos para encontrar presas e recursos vegetais. Assim como o jabuti, desempenha um papel muito importante como dispersor de sementes, por incluir diversas espécies de frutos em suas refeições.
Reprodução: é ovíparo, com período reprodutivo ocorrendo na primavera e no verão. Após a cópula, a fêmea procura locais protegidos, como tocas ou áreas com vegetação densa, para depositar entre 20 e 50 ovos. O período de incubação dura de dois a três meses, variando conforme a temperatura e a umidade do ambiente. Os filhotes nascem independentes e aptos a se alimentar e a se locomover.
Curiosidades
a) De acordo com um grupo de cientistas apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a espécie Salvator merianae — durante o período reprodutivo — consegue se aquecer com o próprio calor do corpo. Publicada na revista científica Acta Physiologica, a pesquisa revelou que o lagarto-teiú não depende do ambiente externo; o animal desenvolveu um mecanismo celular nunca antes visto nos répteis para aquecer seu sangue. Vale destacar que é o único réptil conhecido que é parcialmente endotérmico, ou seja, mantém sua temperatura corporal estável, independentemente das alterações ambientais;
b) Historicamente, tem grande importância na comunidade indígena, pois utilizam sua carne como alimento, seu couro e gordura.
Quando criança, presenciei um fato raro: um lagarto-teiú dando laçaços em vespeiro para roubar o mel. Corria velozmente com suas patas traseiras, dava a lâmpada e fugia. Fez isso por diversas vezes, até destruir o vespeiro. Adota essa prática inclusive em colmeias de abelhas, que se instalam em tocos de árvores apodrecidas, cupinzeiros abandonados e tocas em barrancos. Alguém já ouviu contarem a estória da “tunda de lagarto” em cachorros e gente? Eis a razão!
Para melhor entendimento das matérias, sugiro ao leitor consultar o Google e ver imagens e vídeos do gambá, da cobra-muçurana e do lagarto-teiú.
Divulguem e auxiliem na preservação dos “animais do bem”!