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Opinião

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Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

Antes mesmo de sentir a água fria do mar, o empresário já estava com a carta pronta. Sabe bem que planejamento vem antes da execução, até quando o projeto envolve Iemanjá e as forças do Universo.

Sentou-se à mesa no último dia do ano, abriu o caderno e começou a escrever pedidos, e não planos, como em outros anos.

“Prezados gestores do invisível, segue abaixo a lista de pedidos para o próximo exercício.”

Foi direto ao ponto. Pediu menos urgências, mais previsibilidade no caixa e clientes que chegam sem fazer força para capturar.

Incluiu um pedido especial por reuniões objetivas, daquelas em que se decide e se cumpre horário.

Pediu também lucidez, como vantagem competitiva, para não confundir faturamento com sucesso.

Em letras menores, quase um rodapé: paciência infinita com pessoas difíceis.

Ao final, escreveu a contrapartida, porque todo bom empresário sabe que não existe pedido sem entrega: prometeu trabalhar duro como sempre, decidir com responsabilidade e não culpar fatores místicos por erros humanos.

Dobrou a carta, separou a oferenda. Simples, sem ostentação, porque nem o mar gosta de exagero. E então foi para a praia.

Lá, já de branco e com cara de quem estava fazendo um “ritual inovador”, entrou no mar. Pulou as sete ondinhas com cuidado, três com classe e as outras meio sem equilíbrio, relendo mentalmente cada parágrafo da carta de pedidos.

Numa onda quase caiu, na outra se molhou mais do que previa, mas seguiu firme. Execução imperfeita ainda é melhor que planejamento eterno, como que um prenúncio de cada trimestre.

Na última onda, entregou a carta e a oferenda ao mar, com um sorriso meio sério, meio aliviado e confiante.

Sabia que o oceano não promete retorno sobre investimento. Mas também sabe que começar o ano com fé e humor é, no mínimo, uma excelente forma de alinhar propósito, estratégia e as marés.

Ao chegar em casa, deu-se conta de que havia esquecido um pedido: voltou correndo com um rascunho para arremessar ao mar. Já era desnecessário pular as ondinhas: “Entender e superar esta maldita reforma tributária”.

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