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Opinião

Mensagem de Natal e Ano Novo

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Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Rodrigo Finardi

A mensagem de Natal e ano novo que eu gostaria de deixar registrada aos leitores do Jornal Bom Dia é: não faz nenhum sentido estragar ou colocar em risco, perder, a relação com a família, amigos, por causa de política ou políticos. Seja quem for. Não vale à pena, isso não soma nada. A cada ano que passa isso fica mais evidente. A política precisa, somente, de mais atenção, fiscalização da sociedade civil e cobrança por resultado e produtividade. Só isso, como já acontece com todos que colocam o pé na rua para trabalhar, diariamente. Não custa lembrar que o bem maior não está na política, mas na vida com bem-estar, dignidade, trabalho, e com quem se decide compartilhar a existência.

Como já escrevi noutras ocasiões, a política sempre está por trás do problema e, também da solução. Falar sobre este assunto é batata, vai ter muita discussão e, não poucas vezes, agressões pessoais, porque a política partidária desperta o melhor e o pior das pessoas. E o resultado da política partidária é só um, gerar alienação mental e distanciamento da realidade, não permitindo estruturar as mudanças socioeconômicas via indivíduo no meio em que ele vive.      

Vou relembrar nesta mensagem de Natal e ano novo, a ideia aqui é, literalmente, largar de mão qualquer viés ideológico seja de esquerda, direita ou centro, e focar no que é consciente e resolutivo, dentro de cada uma destas vertentes, se é que se pode afirmar isso, por mais ideológico que seja. Aquilo que ultrapassa o individualismo e quer melhorar o interesse público, se propõe ser transformador, para encontrar na prática a resposta e modelo à sociedade abrangendo questões econômicas, estruturais, culturais, ambientais e humanas.    

Por exemplo, um projeto de efeito socioeconômico, público, transformador, neste ano, foi a atualização da tabela de Imposto de Renda, isentando quem ganha até R$ 5 mil de pagar este imposto. Esta lei é muito importante, porque vai aumentar o poder aquisitivo dos trabalhadores, mas, no fim, representa somente algumas migalhas, porque a tabela não era atualizada há 15 anos e inúmeras ações, neste sentido, foram ignoradas durante este período todo. Mesmo assim, isso é política de Estado, que transcende governos partidários e gera benefícios às pessoas, por isso, é preciso focar, cada vez mais, neste tipo de política.

A estrutura econômica do Brasil não está nem aí para partidos políticos ou o que as pessoas pensam, quanto mais ideológico for o raciocínio da população, melhor para este sistema, porque, enquanto a sociedade discute política, se divide em ofensas gratuitas, muitas vezes sem reflexão, jamais se conseguirá estabelecer uma relação causal entre a estrutura econômica e o subdesenvolvimento, miséria e as dificuldades que a população vive. Todos trabalham como condenados e sofrem com a estrutura que está aí, é somente com muito custo que se consegue chegar a algum lugar, no geral, a regra é sobreviver e pagar contas até a morte chegar. Por que tem que ser assim?

Este é o modelo de desenvolvimento do Brasil que há décadas está vigente no país e precisa ser questionado de maneira efusiva, calorosa, expansiva, para depois bater às portas da política. Mas, antes requer discussão, por todos nós, de maneira crítica e precisa, como se faz no futebol, em que nada passa despercebido, nem os mínimos detalhes que o clube quer esconder dos torcedores. 

A estrutura do Brasil, que independe de partido A, B ou C, sobrecarrega o empresário, empobrece o trabalhador e as famílias, inibe a capacidade de trabalho e consumo, torna o país improdutivo, gera desindustrialização, concentra renda e produz escassez para a maioria da população. É uma fábrica de retrocessos, que parasita a todos de maneiras distintas, deliberada e legal. É premente olhar para fora da janela, mas sem a viseira e a roupagem ideológica da política, por mais utópico que seja.  

A sociedade civil está no centro de tudo, pode incomodar, discutir, questionar, por exemplo, a política suicida de juros elevados, verdadeiro inimigo dos brasileiros, que consumiu 42,96% do orçamento federal de 2024, e inviabiliza qualquer investimento em educação, saúde, segurança e infraestrutura, que podem mudar realidades. Não dá mais para esperar pela razão e boa vontade dos Congressistas, que parecem se deteriorar com o passar dos anos, ficam mais cegas e egoístas. 

Não quero me contradizer, como já escrevi, romper com esta estrutura e os grilhões culturais que a sustentam é quase impossível, o normal é se entregar à política ideológica e partidária, é uma questão de sobrevivência, e o mais fácil e rápido a se fazer. A não ser que a sociedade civil, nós, indivíduos, famílias, empresas, decidamos juntos mudar, aí é necessário falar uma outra língua. Feliz Natal e próspero ano novo, caríssimos leitores.  

 

 

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