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Rural

Laranja: mercado em expansão na região Alto Uruguai

Atualmente, área cultivada é de 3200 hectares e com a implantação de novos pomares deve passar de 4 mil hectares neste ano. Perda de 40% dos pomares em São Paulo e implantação da indústria em Centenário têm colaborado com crescimento. Preço pago ao produtor reduziu em relação ao ano passado

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Pomares em Itatiba do Sul
Pomar de itatiba do Sul
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Emater de Itatiba do Sul

O Vale do Alto Uruguai tem um dos melhores climas do Brasil para produção de cítricos. Esta região vai de Marcelino Ramos até Erval Grande, envolvendo os municípios de Aratiba, Itatiba do Sul, Barra do Rio Azul, Severiano de Almeida e Mariano Moro. Atualmente, a área cultivada de laranja, na região, é de 3200 hectares, já de bergamota fica em 168 hectares, sendo 80% da área cultivada de citros com laranja valência. A cultura está em expansão e é cultivada, principalmente, por pequenas propriedades rurais, segundo dados Emater/RS-Ascar.

Segundo engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, na região, 60% da produção vai para indústria e 40% para consumo in natura, na mesa do consumidor. “A região tem um dos melhores climas para produzir laranja, com amplitude térmica, num mesmo dia a temperatura vai de 10 a 30 graus e isso favorece muito a coloração da fruta, que possui um bom grau brix”, explica.

Com a ampliação de área que está ocorrendo na citricultura no Alto Uruguai, a região vai passar de 4 mil hectares de pomares. Para se ter uma ideia, em todo o estado de Santa Catarina tem 1500 hectares. “Nossa região tem mais laranja plantada do que todo o Estado de Santa Catarina”, disse ele.

O produtor tem recebido R$ 1 pelo quilo da fruta, preço que reduziu em relação ao ano passado. “A produtividade média é de 30.000 quilos por hectare, no entanto, tem alguns produtores que conseguem chegar a 80.000 quilos por hectare”, observa o engenheiro agrônomo.

Segundo ele, os municípios com os maiores pomares são Itatiba do Sul, Aratiba, Barra do Rio Azul e Severiano Almeida e a região tem 19 municípios que possuem áreas comerciais. “Uma indústria de porte significativo se instalou, em Centenário, e, somente ela vai precisar de uma produção correspondente a no mínimo 1000 hectares”, observa Poletto.

O engenheiro agrônomo explica que cerca de 40% dos pomares no estado de São Paulo foram dizimados em função da doença de greening. “Isso tem facilitado o crescimento da citricultura no Alto Uruguai, assim como a implantação da indústria no município de Centenário.

Neste ano, serão plantados 700 hectares de novos pomares na região Alto Uruguai, sendo 250 hectares em Mariano Moro, 120 hectares em Centenário, e 50 hectares em Severiano de Almeida, assim como em Itatiba do Sul, Barra do Rio Azul, Erval Grande, e outros que começaram a plantar pomares de laranja, como Carlos Gomes, Floriano Peixoto, Viadutos, em função do preço da indústria”, comenta.   

O engenheiro agrônomo ressalta que é importante comprar mudas de qualidade para implantar novos pomares. “Devido à grande procura, praticamente, não tem mais mudas para vender nos viveiros até o ano que vem. O citro é uma das últimas atividades do pequeno produtor em que é possível ter boa renda. O preço baixou em relação ao ano passado, mas ainda dá para o produtor ganhar dinheiro, porque em 4 a 5 hectares é possível ter uma renda de R$ 200 mil por ano, numa propriedade pequena”, destaca.

Ele afirma que a Secretaria da Agricultura do Estado criou o Programa Pró-Citros, com objetivo de incentivar e fomentar o desenvolvimento da citricultura. A Emater tem um trabalho muito intenso na região em citricultura. “Temos equipes que capacitam os agricultores e que são referência no Rio Grande do Sul. Na região, temos um mercado muito bom, em vários municípios, que trabalham há anos nesta atividade comercializando a laranja. A Emater e as prefeituras são incentivadoras desta cultura e, por isso, é uma atividade de sucesso”, afirma.

As indústrias do setor estão instaladas na serra gaúcha, no entanto, a região tem uma planta em Centenário. “Muitos produtores têm se organizado, de forma conjunta, associativa, para trabalhar a melhoria da qualidade da fruta e vender direto para as indústrias e mercados”, comenta.

Poletto afirma que as cadeias formadas por culturas perenes, muitas vezes, o preço oscila e em alguns anos não é favorável. “Muitos produtores derrubaram seus pomares em função do preço ter baixado, e muitos se arrependeram, porque, no ano passado, chegou a R$ 2 o quilo da fruta. Estas cadeias como a citricultura e erva-mate passam por instabilidade de preços, mas os produtores precisam pensar muito antes de arrancar o pomar ou o erval, porque são culturas perenes, que os preços oscilam, tem instabilidade, mas também tem preços bons”, destaca ele.

Itatiba do Sul

O município de Itatiba do Sul vai ampliar os pomares de laranja, a área cultivada no município vai chegar a 900 hectares com o que será implantado neste ano. “Em torno de 700 hectares já estão em produção, com uma produtividade média de 30 toneladas por hectare. A variedade mais produzida é a laranja valência. Em torno de 90% das áreas estão em produção”, afirma o técnico em agropecuária da Emater de Itatiba do Sul, Everton Antônio Romani.

Ele comenta que há outras variedades produzidas no município como a rubi e salustiana, que são laranjas precoces. Tem também as variedades Lanelate, Monteparnaso e Bahia, laranjas de Umbigo, laranja do céu (doce) e algumas áreas com outras cultivares. “A produção esperada no município para a safra 2025 é 21.000 toneladas. Itatiba do Sul tem em torno de 200 famílias com produção de citros”, afirma Everton.

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