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Rural

Como enfrentar os efeitos da falta de chuva na produção de leite

Allan Tormen, presidente do Sindicato Rural de Erechim, e Frederico Modri Neto, da Emater/RS, apresentam medidas de manejo adequadas para garantir a produtividade e a saúde dos animais diante do problema de estiagem

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Como enfrentar os efeitos da falta de chuva na produção de leite.jpeg
Frederico Modri Neto, Médico veterinário da Emater/Ascar-RS
Allan Tormen, Presidente do Sindicato Rural de Erechim
Por Gabriela de Freitas
Foto Emater/Ascar-RS; Arquivo pessoal

A ausência de chuvas regulares na região do Alto Uruguai impacta diretamente a atividade leiteira, comprometendo tanto a produtividade dos animais e aumento nos custos de produção. O presidente do Sindicato Rural de Erechim, Allan Tormen, compartilhou sua preocupação, apontando que a perda na produção devido ao estresse térmico pode chegar a 20%. “As lavouras de milho para silagem na nossa região, na primeira safra, praticamente escaparam da seca. Embora tenha parado de chover em meados de janeiro, os milhos estavam quase prontos para a silagem”, afirma Allan Tormen.

Impactos da estiagem na produção leiteira

“A escassez de chuvas tem reduzido a disponibilidade de pastagens, tanto anuais quanto perenes, e elevado os custos de alimentação do rebanho, que atualmente representam de 50% a 60% do custo total da atividade”, explica o médico veterinário da Emater/Ascar de Erechim, Frederico Modri Neto, “Os animais estão sendo alimentados com volumosos conservados, como silagem de milho e trigo, o que aumenta ainda mais os gastos. As altas temperaturas e a falta de água para dessedentação agravam ainda mais o cenário”.

A situação afeta especialmente os produtores que dependem das pastagens, cujas condições foram prejudicadas pela irregularidade das chuvas. Allan Tormen ressalta a importância de os produtores investirem em estratégias para mitigar o estresse térmico e começarem a reservar alimentos como silagem, pré-secado ou feno para garantir a produtividade dos animais durante a escassez de pasto.

Estratégias para garantir nutrição adequada aos bovinos

Durante a estiagem, a oferta de forragem de qualidade é severamente reduzida. Para garantir que os bovinos mantenham uma nutrição adequada, Modri Neto sugere as seguintes medidas:

  • Alimentos volumosos: Produção e armazenamento de silagem de milho, trigo, aveia, além de fenação e produção de pré-secados de pastagens como tifton e Jiggs. A irrigação de pastagens também é uma solução viável quando possível.
  • Alimentos concentrados: Uso de ração concentrada, com componentes energéticos e proteicos, para suprir a escassez de pasto. A suplementação mineral é fundamental para evitar deficiências nutricionais.
  • Bem-estar animal: Garantir acesso a água limpa e fresca é essencial para evitar desidratação e continuar a produção leiteira. Além disso, oferecer sombra ajuda a reduzir o estresse térmico nos animais.

Saúde dos bovinos

A saúde dos bovinos também está em risco durante a estiagem. A escassez de forragem e água pode favorecer o surgimento de doenças, como:

  • Estresse térmico: O aumento da temperatura reduz o consumo de alimentos e leite, aumentando o risco de mortalidade.
  • Desidratação: A escassez de água compromete a ingestão de alimentos e afeta o desempenho dos animais.
  • Intoxicação alimentar e deficiências nutricionais: A redução das pastagens pode levar os bovinos a consumir plantas tóxicas ou alimentos de baixa qualidade, resultando em distúrbios digestivos e carências nutricionais.

Alternativas alimentares para a estiagem

De acordo com o presidente do Sindicato Rural, há expectativa de que as chuvas retornem para aliviar o estresse térmico, mas a produção de pastagens continua prejudicada. Alguns produtores enfrentam problemas metabólicos nos animais, o que pode afetar a qualidade do leite, como a síndrome do leite linhoso, devido à variação no consumo de matéria seca causada pela má qualidade das pastagens e o estresse térmico. Frederico Modri Neto destaca alternativas para suprir a falta de pastagem verde durante a estiagem:

  1. Volumosos Conservados: Silagem de milho, trigo e outros cereais, além de feno e pré-secados de pastagens como tifton e azevém.
  2. Suplementação Alimentar: Uso de rações concentradas para fornecer energia e proteína, além da suplementação mineral para evitar deficiências nutricionais.
  3. Manejo de Pastagens e Água: A rotação de pastagens e o uso de pastagens irrigadas ajudam a preservar a forragem disponível, enquanto o acesso contínuo a água limpa e fresca é fundamental para a saúde e produtividade do rebanho.

Orientações da Emater sobre o manejo da água

A escassez de água tem sido um problema recorrente na região, afetando tanto a dessedentação dos animais quanto a irrigação das pastagens. A Emater/RS orienta os produtores a adotarem práticas de manejo hídrico, como:

  • Armazenamento de Água: Construção de açudes, cisternas e poços artesianos para garantir reservas durante os períodos de seca.
  • Proteção de Nascentes: Manter a vegetação nativa ao redor das fontes de água para evitar o assoreamento e garantir a qualidade da água.
  • Uso Racional da Água: Adoção de sistemas eficientes de captação e distribuição de água, como bebedouros automatizados, e o uso de cisternas para captar água da chuva.

Essas práticas de manejo hídrico são essenciais para minimizar os impactos da seca e garantir a continuidade da produção leiteira. A estiagem tem sido um desafio significativo para os produtores de leite em Erechim e na região, mas com planejamento e adoção de estratégias de manejo adequadas, é possível mitigar seus efeitos.

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