A riqueza do desprezo
Quem gosta de ser desprezado? É comum ouvir (ou expressar) reclamações sobre maus-tratos, desprezo ou atendimento ruim. Quem for menosprezado ou rejeitado se sente lesado e desvalorizado.
Alguém acharia grande valor em ser desprezado? Na descrição da fé de Moisés, o texto bíblico diz: “Ele entendeu que ser desprezado por causa de Cristo era uma riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a recompensa” (Hebreus 11:26). Moisés viu riqueza no desprezo!
É claro que ser desprezado não trouxe alegria imediata. A história de Moisés até fala do medo dele quando fugiu do Egito e das frustrações quando o próprio povo de Israel murmurava e criticava durante a peregrinação no deserto. A chave para entender essa riqueza do desprezo está no final da frase: “porque contemplava a recompensa”.
Quando pensamos em tesouros e riqueza, normalmente não pensamos no depósito mensal do salário, nem em uma conta pequena de poupança para realizar algum plano de curto prazo. Pensamos em valores acumulados, talvez investimentos de longos anos ou planos de previdência mantidos para suprir as necessidades dos últimos anos da vida. Especialistas em planejamento financeiro falam da importância do crescimento do patrimônio de quem quer manter a sua independência financeira na velhice. Esses valores acumulados com o suor de décadas de trabalho são valorizados e protegidos.
Moisés não pensava na aposentadoria aqui na terra, pois continuou trabalhando até sua morte com a idade avançada de 120 anos. Ele contemplava a recompensa eterna e celestial, como os outros grandes exemplos de fé citados no mesmo capítulo de Hebreus. O autor disse sobre os antepassados de Moisés: “Todos estes morreram na fé. Não obtiveram as promessas, mas viram-nas de longe e se alegraram com elas, confessando que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria [...] Mas, agora, desejam uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porque lhes preparou uma cidade” (Hebreus 11:13-16).
Pessoas que investem no seu próprio futuro, se preparando para a aposentadoria, aprendem a negar impulsos e recusar gastar dinheiro à toa. Quem investe na sua eternidade também nega desejos da hora, aceita o desprezo de pessoas que não compartilham dos mesmos objetivos espirituais e busca a recompensa celestial.