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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Sobre a reinvenção do homem

Por Marcos Vinicius Simon Leite

As mudanças no comportamento humano nunca acontecem de forma abrupta. Foram necessários séculos até que a Revolução Francesa conseguisse ao menos bradar por liberdade, igualdade e fraternidade. Mesmo depois de tanto tempo, ainda não vivemos assim. Porque há sempre algum indivíduo ou grupo que arrasta os grilhões do passado e impede que a nossa evolução aconteça a contento.

A criação dos meninos

Para os meninos nascidos nos anos 70 e 80, era comum brincar na rua. Lá aprendiam de tudo, o que prestava e o que não. Daí para frente, cabia à família estabelecer os limites do que traziam de fora para dentro de casa. Quando a adolescência ainda se mostrava distante, os futuros homens eram logo ensinados a reprimir sentimentos e não chorar, muitas vezes, dentro da própria casa. Na sexualidade, eram estimulados a ser reprodutores, ter muitas namoradas e ser bons amantes. Isso quando a sensualidade não era trabalhada em demasia.

A criação das meninas

As meninas, por sua vez, eram estimuladas desde cedo a serem “bem-comportadas”, como diz o título de Simone de Beauvoir. Enquanto os meninos eram criados para serem bons reprodutores, gulosos acumuladores de experiências, a sociedade se esquecia de que, do outro lado, as meninas não eram preparadas para dar vazão a este lado sombrio da energia sexual masculina. Basta lembrarmos de como eram as brincadeiras de menino e de menina.

Reflexos

Se hoje vemos multiplicar casos e mais casos de abusos e de violência contra a mulher, é sinal de que o reflexo do modelo social de educar meninos falhou. E muito! Em uma sociedade baseada em modelos masculinos, estas questões avançam para um universo perigoso. O comportamento arrastado das décadas passadas carrega uma série de nuances psicológicas que atravessaram os mais variados ambientes da vida em sociedade. Guerras, corrupção, violência, politicagem, ditaduras. São todos comportamentos masculinos. Numa cristalização de consciência, amparada por um pedestal de indiferença, homens toleram homens e a violência permanece viva como se fosse algo da “natureza humana”.

Pecado original

Quem assiste a uma simples animação sobre o momento da fecundação já pode perceber como a violência é retratada até mesmo na ideia da concepção. Nunca se conta a história do ponto de vista do óvulo e sim dos valentes e velozes espermatozoides. Os “grandes vencedores”, os “primeiros colocados”, que depois de deixarem milhares de outros (nem tão iguais) para trás, partem para a parte final do ato: a fecundação. Como? Agressivamente, dando cabeçadas à parede celular, como se a própria criação humana fosse um ato de violência que precisasse de força para penetrar a célula da vida. Um erro. Um erro gigante e que passa despercebido.

Centro da criação

Sem ofensas à costela de Adão, nós, homens ou machos, por natureza, esquecemos de que não somos o centro da Criação. Se fôssemos, seríamos nós os escolhidos para gestar os nossos descendentes. Acreditemos ou não em Deus ou na Natureza, é tempo de reavaliar essa masculinidade toda que anda por aí. A ignorância (enquanto sinônimo de testosterona) tem levado a raça humana à destruição, à indiferença e ao caos. Se, ao contrário, o mundo fosse mais feminino ou, se ao menos os homens tivessem mais respeito pela natureza das mulheres, estaríamos certamente mais evoluídos. Por certo que o planeta estaria mais calmo, mais estável, mais justo, igualitário e fraterno. Pensemos nisso! Pensemos em nossas crianças, em nossos filhos. O mundo está cansado dos machos. É preciso reinventar os homens.

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